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A lição de Zico

Entre tantas riquezas em cada declaração, não dá para negar que cada coletiva com o galinho é bem mais do que uma entrevista sobre esporte. Arthur Antunes Coimbra sempre dá uma aula sobre futebol e, mais, de como um ídolo deve se comportar.
E entre tantas lições, chama a atenção um fato simples, que quase passou em branco mas que vale a referência. Um repórter pediu que o nosso camisa dez beijasse nossa camisa. Zico recusou e lembrou que não precisava daquilo para mostrar que amava o Flamengo.
Reflita.
Quis o destino que na mesma semana Emerson negociasse seu retorno ao clube. O Sheik veio em baixa, sem clube e encontrou na Gávea uma casa. Teve um aumento que jogadores com mais serviços prestados não tiveram e se valorizou. Com a torcida gritando seu nome, saiu e saiu porque quis. E fora do clube, deu diversas entrevistas às lágrimas falando da saudade que sentia.
E ficava a pergunta: por que quis sair então?
Mas todos cometem erros. E com menos de seis meses de contrato com o seu atual time, Emerson começou a dizer que “lutava para voltar”. Na briga política do clube, o sósia do Zidane (by Trolhoso) começou a negociar com outros clubes e esteve muito perto de retornar ao Morumbi. Mas não era da magnética que ele sentia falta? Não foi pelo Flamengo que Emerson deu dezenas de entrevistas a milhas de distância do Maracanã em que, às lágrimas, dizia que voltaria para cá?
E ainda em meio a tantas perguntas, diversos veículos informam que o Fluminense tenta atravessar a negociação que começou há semanas. Emerson pede mais do que ganhou em sua última passagem e boa parte dos torcedores não vêem problema já que há quem jogue menos no elenco e ganhe muito. Nesse ritmo, o Flamengo volta a dever salários e a pagar R$ 80 mil por quem nunca renderá dividendos do clube. Se Emerson achar que deve ir para as Laranjeiras, que vá. Há outros atacantes e, certamente, o Flamengo saberá sobreviver sem o sheik. Aliás, fomos campeões do Brasileiro sem ele.
Falta a Emerson aprender a lição de Zico. Dar entrevistas chorando, beijar a camisa e tecer elogios ao clube é simpático, mas não prova nada. Mais do que provar, o amor se exerce. Se Emerson quer voltar por amor, então que lute por uma multa rescisória mais baixa ou espere cumprir seu contrato lá e assine um pré-contrato com o Flamengo. Se quiser voltar por dinheiro e pelo Rio de Janeiro é um direito seu, mas que deixe isso claro. O #CRF pode ter problemas, pode não se dar ao respeito muitas vezes, mas é muito importante para seus torcedores. Nós preferimos que seu nome não seja banalizado.
É hora de aprender a lição de Zico: beijar a camisa é pouco. E talvez seja mais respeitoso nem beijá-la em muitos momentos.
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Alguns falam que a resposta por Emerson sai hoje. Tomara. E seja qual for, torcerei por Emerson se vier, independente de achar um absurdo o que paguem por um jogador de mais de 30 anos, que se contunde fácil e não renderá nenhum dinheiro em uma venda.
Gosto de seu estilo, não posso negar que sua passagem foi bonita em muitos aspectos, mas ainda repito: o Flamengo não pode se gerenciar de forma tão emotiva. Deixe isso para nós, torcedores.
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Sobre flamengonet

jornalista

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