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Calúnia do Rúbio Negrão

Reconheço que ando meio sumido do blog, mas, por favor, não fiquem preocupados. Sei que o ser humano sempre tende a pensar no pior, que alguma desgraça aconteceu, uma tragédia, mas podem ficar tranquilos porque não estou trabalhando ou assumi qualquer compromisso com nada, de forma que está tudo maravilhosamente bem.
Mas vamos à calúnia da semana, antes que outra coisa capture a minha tão combalida concentração: conforme escrevi na semana passada, ao finalizar a epopéia da minha contratação pelo blog da Flamengonet, finalmente passarei a analisar o futebol propriamente dito. Para tanto, chequei um comentário que postei no Echo ainda na época da Copa, logo que fui efetivado como calunista:
“Certo tá o Zico. Depois de ver o naipe dos jogadores titulares da seleção brasileira, concluiu que o time do Flamengo atual dá e sobra pra buscar o hepta.”
Na ocasião, nosso co-comentarista Paulo (beijo no coração!) me sugeriu que esse comentário daria uma boa calúnia. Acatei a ordem e fui à luta, como será comprovado a seguir.
Sejamos sinceros: a mírdia escrotiva vive do quê? Do sucesso dos jogadores? Da alegria da massa torcedora?
Claro, quando algum time é campeão de alguma coisa, a mírdia faz a cobertura festiva conforme manda o manual, mas essa cobertura, por mais completa e emocionante que seja, só interessa à torcida do time vencedor. Os outros torcedores desligam os rádios e as TVs assim que escutam os primeiros acordes do hino rival.
Então, que tipo de noticiário movimenta todos os torcedores, de todos os times, de todo o Brasil? Fácil: bochichos, conchavos, tragédias, muvucas, fracassos retumbantes, crises e casos de polícia!
Até aqui, acho que todos concordam comigo. Mas há uma sutileza: bad boy quebrar boate deixou de ser “boa” notícia. Notícia ideal para a mírdia escrotiva é, por exemplo, o Kleberson, garoto sorriso do futebol brasileiro, profissional e família, um cara que não faz mal nem para um inseto, que dirá para um adversário, ser acusado de estupro seguido de pagamento insuficiente e uísque paraguaio. Isso sim vende jornais! Uma lambança de um jogador do bem! Não vai acontecer, mas caso ocorresse faria a imensa torcida brasileira vibrar, colada nos radinhos e nas TVs!
Da mesma forma, estou certo de que a maioria esmagadora da mírdia torce desesperadamente para que Zico dê mancada no Flamengo. Já a minoria esmagadora dessa mesma mírdia, formada por profissionais sérios e ilibados (que, felizmente, ainda existem) também torce, só que inconscientemente.
Ora, pelo que eu tenho lido e ouvido por aí, o Zico que estão malhando só pode ser aquele Zico facínora e líder da Turma da Zona Norte, dos gibis da Luluzinha! Não pode ser o outro Zico, que eu conheço há décadas, que só me deu alegrias, que nunca pisou na bola, nem dentro de campo nem na vida real, e que inspirou reverência até no indomável e inesquecível Bussunda! O Zico que não tinha mais nada a ganhar assumindo o cargo de diretor-executivo de futebol do Flamengo, mas mesmo assim encarou o desafio. O Zico que não tem o estilo Twitter de ser, porque não é 99, mas sempre 100%. O Zico que tem todo o direito de exigir que a torcida do Flamengo pare com essas intimidades de “Zico” pra cá, “Zico” pra lá, e passe a chamá-lo de “Ilustríssimo Senhor Coimbra”.
Tudo bem. Não me surpreende que a mírdia e os arcoirenses tenham se dado as mãos para fofocar sobre o Zico nos cada vez mais curtos intervalos dos intermináveis merchans. Mas, e nós, torcedores do Flamengo? Cairemos na armadilha da ansiedade e da frustração? Não há a menor necessidade, pois estamos rigorosamente em dia em matéria de títulos: já enjoamos de vencer Carioquinhas, somos dos raros clubes brasileiros detentores da Libertadores e do Mundial, além de ostentarmos o título de atuais campeões brasileiros. Se não faturarmos o hepta ainda este ano, o mundo não cairá sobre nossas cabeças, e muito menos seremos zoados por ninguém! Em pleno 2010, estamos “inzoáveis”.
Conheço alguns flamenguistas de boa cepa que querem botar o Zico pra correr, e não é dentro de campo. É pra fora da Gávea mesmo. Querem chutar o Galinho pra escanteio, como se o batedor fosse o Pet. A esses flamenguistas compreensivelmente mais tensos com o estágio atual do trabalho do Zico, lembro que o nosso diretor-executivo podia ser o Delacir. Ou o Negreiros. Pensem bem… Podia ser o Jaílton! Desespero bateu? E olha que o Jaílton leva mais jeito pra qualquer outra ocupação que não seja a prática do futebol!
Até concordo que atualmente dá gosto ver o Flamengo jogar: gosto de fel, de Leite de Magnésia estragado. Só que, por outro lado, a moralização do Mengão agora é irreversível, posto que a imensa maioria dos flamenguistas apoiará o nosso herói até o fim.
Peço que sejamos pacientes com o Galinho. Não podemos esquecer que ele embarcou no Flamengo de 2010 com o bonde andando. Não só andando, como desgovernado. A tal luz no fim do túnel já tinha passado há umas duas ou três estações.
Para desoprimir os que ainda acham a grama do estádio do vizinho mais verde, ofereço este pequeno exercício de imaginação: “E se o nosso diretor-executivo fosse…”
Zagallo? A seu favor aquela facilidade de deixar tudo no zero a zero. Contra, a teimosia: tentaria fazer o nosso time titular jogar com 13 jogadores alegando que “esse número dá sorte, principalmente contra equipes que jogam com apenas 11”.
Falcão? Realizaria boas transações com jogadores a custo zero, já que tem muita experiência no pau a pau. Exímio observador, também investiria pesado em cima dos garotões da base.
Eurico Miranda? Apesar da resistência da torcida, nos economizaria salários, porque além de desempenhar o cargo de diretor-executivo, ainda teria experiência suficiente para acumular todos os cargos de vice do Flamengo.
Renato Gaúcho? Não seria recomendável, pois, em se tratando de Flamengo, tem o péssimo histórico de empurrar com a barriga.
Denílson? Faria uma administração espetacular, repleta de ações habilidosas! Domínio absoluto do riscado! Um show de gestão! Controle perfeito! Pena que iria dar em nada…
Andrade? Excelente opção, pois com o Tromba por trás há sempre um grande negócio a caminho.
Alex Soneca? Daria uma bela sacudida no Clube, despertando o sentimento rubro-negro nos jogadores e na torcida. Só iria pedir uma coisa em troca: “Só mais 5 minutinhos, tá?”
Felipe Chinelo? Priorizaria a construção do CT. Não o Centro de Treinamento, mas o Centro de Tratamento, um moderníssimo departamento médico onde os jogadores contumazes, aliás, contundidos desfrutassem o ambiente ideal para uma longa e completa recuperação.
Renato Maurício Prado? Por ser muito garganta, teria que aprender a trabalhar à boca miúda. Por outro lado, como enche a boca quando fala do Flamengo, saberia botar a boca no mundo quando fosse preciso.
Romário? Conseguiria parceiras com extrema facilidade, mas precisaria aprender a conter o fluxo de caixa a fim de não gerar processos de paternidade contra o clube.
Adriano? Adepto da gestão à moda antiga, o imperador certamente seria muito autoritário e centralizador. Cabeças rolariam com frequência.
Sávio? Pelo seu perfil, uma opção altamente perigosa caso o Flamengo venha a se tornar sociedade anônima, pois não conseguiria evitar o cai-cai das ações rubro-negras.
Gilmar Rinaldi? Promessa de administração confusa, pois sempre trocou os pés pelas mãos.
Edmundo Animal? Haveria muitos acidentes de percurso, pois ele costuma fazer tudo no atropelo.
Bruno? De perfil bastante econômico, não admitiria gastar dinheiro à toa, e trabalharia sempre no osso, cortando tudo o que pudesse.
Maradona? Dono de hábitos caros e extravagantes, transformaria em pó o patrimônio do Clube.
Nunes? O João Danado seria excelente na resolução de problemas, porque nunca vacilou nos momentos de decisões.
Bebeto? Esse tem a manha: chorar o valor do salário do atleta, chorar a comissão do empresário, chorar ao negociar os bichos com os jogadores, chorar as quotas da TV…
Richarlyson? Não iriam faltar trocas-trocas e bem bolados com empresários.
D’Alessandro? Aposta interessante. Poderia dar certo porque tem uma cabeça privilegiada, a maior cabeça pensante do Brasil.
Ronabo? A prova de que não conhece nada de administração é que não sabe diferenciar um ativo de um passivo. Pensa que as únicas formas de maquilar as “gordurinhas” do orçamento são regimes, lipos ou usar a camisa pra fora do calção.
Jaílton? Burocrático ao extremo, não faria nada de novo. Sem falar que a tão decantada gestão transparente e profissional iria por água abaixo, pois seu único recurso é passar a perna quando leva um chapéu ou uma canetada.
Marcinho? Fracasso anunciado: se por um lado é capaz de organizar “coletivas” bastante concorridas, por outro elas invariavelmente terminam na delegacia.
Çouza? Perderia todas as oportunidades criadas pelos parceiros, mas mesmo assim teria muito prestígio junto à torcida.
Vagner Love? Além do seu comprovado flamenguismo, ainda possui experiência em gerenciamento graças às suas muitas conexões com gerentes cariocas, que lhe forneceriam munição de sobra para vencer essa guerra.
Gozações à parte, não estou aqui afirmando que Zico seja infalível. O “Ilustríssimo Senhor Coimbra” já perdeu pênalti em Copa do Mundo, mas nunca deixou de ser um cracaço de bola. Isso porque não errou por ser pereba, mas por ser humano. E se vier a errar como diretor-executivo, não será por ser desonesto. Ele não é infalível, mas é “infalável”.
Gerir um clube de futebol seria a tarefa mais fácil do mundo se, para montar um time vencedor, bastasse reunir nomes famosos num catadão all stars. Já tivemos Gamarra, Denílson, Alex Soneca, Vampeta, Edmundo e outras joias raras, que só nos trouxeram vergonha e dívidas tão imensas quanto eternas.
O Flamengo precisa entender que Zico deixou de ser o homem dos refletores para ser o homem dos bastidores. Não coloca mais ninguém na cara do gol, e muito menos completa a jogada caso falhem. Nem pisa mais nos gramados, já que assiste aos jogos lá de cima. Ou seja: parece nem ao menos cogitar treinar o time.
Mas uma coisa eu sei, por experiência própria: competência e honestidade sempre vencem no final. É por isso que ele é Zico e eu, Mico.
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Sobre flamengonet

jornalista

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