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Calúnia do Novo Aurélio, aliás, Rúbio Negrão

Num certo 27 de agosto de 2010, Arthur Muhlemberg (de quem aprecio toda a obra, principalmente o seu concerto para piano e orquestra) escreveu uma coluna chamada “Como se fabrica um boato”.

Como um dos raríssimos pianistas que se recusam terminantemente a tocar sequer um chorinho, Muhlemberg, mais uma vez, tirou o Band-Aid da ferida de um puxão só.

Creio que todos os presentes tenham lido a dita cuja, até porque pressupõe-se que quem entra num blog, diferentemente de quem se candidata a deputado federal, é alfabetizado.

Daí, sempre fiel à lei do menor esforço, vou no mote da referida coluna falar um pouco sobre a evolução (ou involução) do boato.

Antigamente, para se criar um boato, não bastava apenas ter uma excelente imaginação e um péssimo caráter. Não. Antigamente era preciso ainda espalhar o tal boato. Jogá-lo no ventilador. Chutá-lo no balde. Espalhá-lo pelos quatro cantos. De nada adiantava criar um belíssimo boato se o seu destino fosse ficar trancado eternamente numa gaveta, sem utilidade social alguma.

Hoje, felizmente, a tecnologia da informação nos permite criar e difundir boatos no conforto dos nossos lares, ou mesmo no desconforto dos nossos empregos.

O fato é que nunca foi tão fácil inventar uma mentira, fazer com que milhares de pessoas a leiam em poucos minutos, e ainda acreditem nela!

Agora, uma coisa é uma dona de casa ou um adolescente ocioso e vicioso criarem um boato. Outra, bem mais grave, é um jornalista inventá-lo, e ainda por cima tendo o Zico como alvo. Nesse caso, o exercício sagrado do direito de encher o saco alheio passa a ser um crime de lesa-hombridade!

Infelizmente, não tenho recursos para erradicar essa maldição que passou a assolar o meio futebolístico, mas posso dar a minha humilde colaboração, ajudando a identificar suas diversas manifestações. Por exemplo, assim como podemos identificar o tipo de cheque sem fundos pelo nome (cheque borrachudo, voador, cowboy, etc.), também podemos identificar o tipo de boatos a que estamos sendo submetidos, tipificando suas múltiplas categorias, como escândalos, complôs, amenidades, humilhações, denúncias, fofocas de celebridades, etc. Isso, claro, se a ABL algum dia vier a abonar a minha nova nomenclatura, e ela passar a ser obrigatória em todas as redações do país.

Vamos, pois, à listagem, não sem antes deixar um pensamento para os colegas comentaristas da prestigiosa Flamengonet: “Se antigamente a imprensa usava tipos, hoje certos tipos é que usam a imprensa.”

Boato silicone: notícia palpável, porém completamente falsa.

Boato Novo Aurélio: notícia de fonte torpe e desconhecida, muitas vezes infundada, que se divulga entre o público; qualquer informação não oficial que circula dentro de um grupo; maledicência divulgada à boca pequena por um fela duma rapariga; balela; dito sem fundamento.

Buuu!ato: boato que de tão cavernoso chega a arrepiar.

Noato: 1. boato que relata alguém pego no ato. 2. boato que a gente vê que é mentira no ato.

Buáááto: fofoca sobre times e/ou jogadores excessivamente emotivos.

Boato falho: aquele que acaba entregando o seu autor.

Boato Hipoglós: aquele que precisa se bem espalhado a fim de aliviar uma situação delicada.

Boato diarreira: aquele que vai dar em mierda.

Globoato: 1. boato que favorece determinada organização da área de comunicação. 2. boato elaborado por profissionais dessa organização.

Boato Marcos Valério: algo que todos já estão carecas de saber (menos o Lula).
Bá!to: boato sobre equipes ou atletas gaúchos.

Buai!to: boato sobre equipes ou atletas mineiros.

Baitola: boato sobre equipes ou atletas paulistas.

Boato confeiteiro: nada mais do que sonhos e mentirinhas, sempre muito açucarados.

Boato promessa de campanha: balela que emociona a galera, mas que nunca vai se concretizar.

Boboato: boato simples e pouco criativo.

Boato Romário: mentira de pernas curtas.

Bolagato: balela sobre jornalistas gulosos e bocudos.

Boalto: boato sobre jogadores de basquete, vôlei ou goleiros.

Boyato: boato sobre jogadores metido a playboys.

Boate: boato sobre baladeiros contumazes.

Boato Albertini: aquele que no fim das contas não era nada do que parecia ser.

Beato: boato sobre treinadores ou jogadores crentes.

Boiolato: 1. boato sobre atletas gays. 2. boato criado por jornalista gay.

Boato Ronabo: aquele que não escolhe vítima.

Boa-à toa: boato sobre Maria chuteira.

Boatú: boato sobre o Fábio Jr.

Jôato: boato sobre o Jô Soares.

Peculato: boato sobre engenharias financeiras em geral.

Boato Bruno: história muito mal contada.

Boato hippie: mentira cabeluda e que não cheira bem.

Byeto (pronuncia-se “Báito”): 1. boato sobre demissão de atleta ou treinador. 2. boato sobre queda de clube para a segundona. 3. boato sobre adeus a jogador que faleceu, pendurou as chuteiras, ou ambos.

Boauto: 1. fofocas sobre automobilismo. 2. fofocas sobre confusões automobilísticas envolvendo atletas.

Zoato: boato com o único intuito de gozar a vítima.

Boatolice: boato que tenta denegrir o homem e/ou o profissional Zico.
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Sobre flamengonet

jornalista

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