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Calúnia do Rúbio Negrão

Ainda com as mãos trêmulas, em parte, confesso, por inúmeras talagadas de 51, mas também e principalmente pela notícia da queda do Zico, mal escrevo estas linhas, que não fosse pelos avanços tecnológicos, também estariam tortas e completamente ilegíveis.

Quando li (e reli) a maldita notícia, que devolve o Flamengo à areia movediça de onde havia começado a se livrar há alguns meses, logo olhei para o calendário para ver se não era primeiro de abril. Depois, olhei para endereço do meu navegador para conferir se eu não estava no blog errado. Cheguei a pensar que eu estava sóbrio, o único estado em que as dores do mundo me afetam.

Era verdade, então. O Rei Arthur, último e derradeiro bastião de moral e bons costumes da Gávea, havia realmente caído. Traído por um capitão corrupto de não menos quixotesco exército, o responsável direto pela estrela dourada que coroa o nosso emblema foi exilado pra lá do arco-íris.

O Rei caiu, deixando os bobos da corte brincando com o Flamengo! Ora, tirar o Zico do Flamengo é o mesmo que separar o Robin do Batman, o Gordo do Magro, o Jerry do Tom, a Dilma do Lula, o Andréia do Ronabo!

De positivo neste imbróglio, apenas um tênue alento na minha sempre combalida autoestima, uma vez que agora posso dizer de boca cheia: “O ZICO TAMBÉM ESTÁ DESEMPREGADO!”

É a mais pura e reconfortante verdade. A classe dos dirigentes esportivos sérios e decentes pode ter perdido um profissional de peso, mas em compensação uma classe bem mais carente de ícones, a dos desempregados, ganhou um reforço extraordinário.

Mesmo assim, vocês pensam que é fácil pra mim? Desempregado, duro, com um refém trancado no quarto de empregada chorando o dia todo?

O que fazer, se Zico deixou de ser Galo para Calo se tornar nos pés daqueles que se locupletam com o Flamengo há décadas sem fim?

Desde 1974, quando assumiu a titularidade no time principal do Flamengo (Zico na reserva só se for como reserva moral), até o dia 30 de maio de 2010, quando retornou ao Clube como diretor-executivo, alguém aqui tinha ouvido falar de algum escândalo envolvendo o Galinho? Algum filho ilegítimo, algum caso com traveco ou Maria chuteira, exame de DNA, picaretagem, falta de educação com a imprensa (isso teria sido um mérito), “engenharia financeira”, noitadas antológicas ou trairagem?

Tempo para pensar.

Mais um tempinho (coisa que tenho de sobra).

Não? Ninguém?

Pois é. Só que no dia 30 de maio começaram a pipocar podres do Galinho aqui e ali. Vindas de quem vinham, tais calúnias mais se pareciam com elogios. Mas quantos dos brasileiros possuem tamanho discernimento para escolher entre Zico e seus algozes?

Quando o epítome do Flamengo, um homem de bem, uma criatura que tinha dinheiro suficiente para ter mandado matar Márcio Nunes e Joël Bats, mas não o fez, deixa de ter espaço dentro do Clube que consagrou mundialmente, é sinal de que a situação (e também a oposição) lá dentro está feia.

Quem disse que os ratos são os primeiros a abandonar o navio? Na nau rubro-negra, os ratos não largam o osso jamais! Vão a pique, afundam, mas não esvaziam os bolsos cheios do ouro flamengo. De tão repleto de picaretas, o Flamengo mais parece um canteiro de obras. De caras de pau, uma floresta ou uma marcenaria.

Mas o que fazer se os ídolos aposentados só recebem consideração midiática e “cartolística” quando ficam morgando nos clubes, morbidamente obesos, coçando os sacos, e com as bocas firmemente atochadas nas tetas “clubísticas”, sugando uma grana preta por mês?

O Ilmo. Sr. Arthur, que já tinha sido destratado pelo Olympiakos, foi novamente destratado pelo Flamengo, logo pelo Flamengo. Enquanto isso, pulhas das mais diversas folhas corridas e opções sexuais recebem respeito e honra de subalternos sem senso ou sem coelhões.

Zico pode não ser maior que o Flamengo (já Ronabo está se tornando muito maior que o Corinthians, mesmo depois da lipo). Mas Zico é uma entidade paralela ao Flamengo, e certamente voltará para terminar o que tentou começar. Só que o retorno do Rei será acolitado por valetes do naipe de um Leonardo e de um Areias, e não por quintas-colunas de terceira categoria.

Menos mal que estão se dando nomes aos bois e às vacas envolvidos na tramóia. Mas será que a mídia irá degluti-los com o mesmo apetite com que jantaram o Galinho?

Creio que sim, porque apesar de os urubus sermos nós, a mídia é que adora uma carniça.
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Sobre flamengonet

jornalista

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