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Por que o Corinthians não é (nem nunca será) um Flamengo
Por Vinicius Paiva

Peço licença aos colegas que escrevem hoje para uma pequena e extraordinária manifestação. Como muitos já perceberam, o grande assunto do dia – segundo a grande mídia – fugiu do escopo “contratações e especulações”, assunto intrinsecamente relacionado a estes tempos de pouco futebol e muita boataria. Os principais veículos de comunicação, capitaneados pelo jornal “O Estado de S. Paulo”, repercutiram o novo “estudo” da Crowe Horwath RCS, onde o Corinthians superaria o Flamengo em valor de mercado. Não apenas o Corinthians, diga-se. O São Paulo também supostamente se encontra à frente do rubro negro: R$ 749,8 milhões para o alvinegro paulista, R$ 659,8 milhões para o tricolor e R$ 625,3 milhões para o rubro negro.

Seria tudo muito bonito, bem feito e cheio de critérios – 18 no total, entre eles “dados financeiros históricos” (?), pesquisas com torcedores, hábitos de consumo, dados sócio-econômicos e até mesmo presença ao estádio. Se não fosse por uma coisinha.

Crowe Horwath RCS: R = Raul / C = Corrêa / S = Silva.

Raul Corrêa da Silva, sócio fundador e presidente da companhia, como se verifica em http://www.rcsauditores.com.br/port/equipe.html é ninguém menos que o DIRETOR DE FINANÇAS DO SPORT CLUB CORINTHIANS PAULISTA.

Duvidam? http://www.corinthians.com.br/portal/clube/default.asp?categoria=Diretoria

Não adiantaria contratar bons profissionais como Amir Somoggi (gerente responsável pelo “estudo”, e um dos principais profissionais de marketing do setor). Não adiantaria ter as costas quentes perante a mídia, fazendo-a divulgar a informação como se fora uma verdade absoluta, sem o menor questionamento ou apuração. Se este fosse um país sério, JAMAIS um instituto presidido por um diretor de clube de futebol teria alguma credibilidade para pubicar “estudos” que advogassem em causa própria.

Só que este não é um país sério. É o Brasil, da mídia paulistizadora, concentrada na sede do mercado publicitário (São Paulo) e que enxerga o país como uma mera e inexpressiva extensão do filet mignon paulistano. Este é o Brasil da paranóia do Ibope – paulistano, é claro. E é também o país do abjeto processo de corintianização, que faz com que todos os veículos – praticamente sem exceções – vibrem e atuem em prol do objetivo de destronar o Flamengo do posto de maior e mais importante clube de futebol. O bastão, afinal, precisa ser passado ao Corinthians, tendo como cereja do bolo a liderança no mais cobiçado dos rankings: o de maior torcida do Brasil – quiçá, do mundo. O que explicaria que este posto seja ocupado por um representante do “resto do país”, afinal?

Quando eu digo que não existem exceções na mídia, isto inclui a dona Rede Globo, antiga parceira e a quem muitos (do arco-íris) atribuem a responsabilidade da enorme popularidade do Flamengo. Pura bobagem, considerando que a avassaladora paixão pelo Flamengo remete ao início do século passado, mas enfim. Vejam a escala de transmissão do Campeonato Paulista 2011 – em que o Corinthians será veiculado em TODAS as rodadas, num total de 16 jogos (sendo 8 para toda a rede da Globo SP) e comparem com a escala de transmissão da Taça Guanabara – 2 jogos do Flamengo em 6 rodadas – e entendam do que estou falando.

O problema é que as justificativas dadas para a “supremacia corintiana” beiram a xenofobia, ao supervalorizarem o contingente de torcedores classes A e B do time paulista – quase tão popularesco quanto o Flamengo. O Corinthians tem a maior torcida no estado mais rico e ponto, isto lhes basta. Em termos de renda per capita, Vitória-ES é a capital mais rica do país, seguida por Brasília. Em ambas o Flamengo possui maioria absoluta de torcedores? Danem-se. Dentre os cinco estados mais ricos do Brasil (sob a mesma ótica do PIB per capita), o Flamengo é absoluto em quatro deles (Distrito Federal, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Espírito Santo)? Danem-se. Afinal, “existe vida fora de São Paulo?”, questionam.

Mas mesmo com tantas e reiteradas mentiras ventiladas na mídia na esperança de se tornarem verdade, eles não conseguem. Ao menos, até hoje passaram longe de conseguir. O Corinthians não é um Flamengo. Desde 1982, quando a Placar veiculou a histórica e antológica capa que ilustra esta coluna, tendo como jornalista responsável pela matéria o corintiano Juca Kfouri.

E por que o Corinthians não é um Flamengo? Eis a pergunta de um milhão de dólares, meus caros. O Corinthians não é um Flamengo simplesmente porque existem mais mistérios entre o céu e a terra do que julga nossa vã filosofia. Quanto mais eles nos batem, mais fortes ficamos – pesquisas entre jovens e crianças (http://tiny.cc/fdz9y) comprovam o que digo. Além do mais, apesar do recente recrudescimento dos times do Rio de Janeiro, o próprio futebol carioca – bi-campeão brasileiro – esboça uma reação que precisa ser reconhecida. Mas acima de tudo, o Corinthians não é um Flamengo porque paixão não se compra. E eles, que tanto se gabam por serem apaixonados, no fim das contas acreditam mesmo é que o poderio econômico pode e deve se refletir na supremacia sentimental. Mas não pode. E nem deve.

É por isso que, desde os famosos “quarenta minutos antes do nada” até daqui a mil anos, o Flamengo há de continuar a ser aquilo que sempre foi: algo que nada, nem ninguém, pode ser maior.

E-mails para a coluna: viniciusflanet@gmail.com

Twitter: www.twitter.com/viniciusflanet (@viniciusflanet)

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