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O futebol, a televisão e assuntos correlatos


*Por Pedro Migão, do Ouro de Tolo

O leitor mais assíduo deve se lembrar que em fevereiro escrevi dois artigos comentando a licitação para os direitos televisivos do Campeonato Brasileiro, que seria realizada nos dias circunvizinhos ao carnaval. Também comentei o esforço que a Rede Globo e a CBF estavam fazendo para solapar o processo.
Não deu outra: utilizando-se de suas relações de poder, a dupla conseguiu tornar inócuo o processo, e a licitação acabou realizada apenas “pro forma”. Feito isso a Globo partiu para negociar diretamente com os clubes, oferecendo à maioria deles um “pacote fechado” – televisão aberta, fechada, pay per view, internet e telefonia – em um valor abaixo do que poderia ter rendido em licitações separadas.
A Rede Record ofereceu a Corínthians e Flamengo propostas que somente para a televisão aberta superam o montante oferecido ao clube paulista para o total dos direitos. Curiosamente o Corínthians ainda assim optou por assinar com a emissora carioca, abrindo mão de aproximadamente R$ 240 milhões em quatro anos de mandato – que seria a diferença aproximada entre uma e outra proposta.
No momento em que escrevo este texto (noite de terça) o Flamengo ainda não havia assinado, mas tudo leva a crer que seguirá os mesmos passos. Resta esperar quais serão os “benefícios” de dois clubes endividados em jogar pela janela valores que equivaleriam a uma substancial parte do orçamento anual. Como economista, sinceramente não entendo.
Também fica claro que a emissora do Jardim Botânico, em combinação com a Confederação Brasileira de Futebol, empenhou-se em manter a qualquer custo o monopólio televisivo do futebol no país. Com o modelo determninado pelo Clube dos 13 em acordo com as determinações do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), a Globo não conseguiria vencer em todas as frentes e, muito provavelmente, perderia o direito para a tv aberta. Em português claro, ela e a CBF “melaram o jogo” quando perceberam que perderiam. E eu avisei isso no Ouro de Tolo.
Pelo menos de acordo com os detalhes fornecidos à imprensa, os contratos individuais assinados com os clubes dão à Globo poder total sobre o campeonato, além do completo monopólio sobre as transmissões e as imagens. Em resumo, ela passa a ser a dona do futebol brasileiro.
Resta saber o que o Cade acha disso, como órgão de defesa da concorrência.
Não se surpreenda, leitor, se os jogos noturnos passarem para as 22:45, como sinalizado em mais de uma ocasião pelo executivo chefe da companhia para esta área. E provavelmente voltaremos à fórmula de disputa denominada “mata-mata”, o que a meu ver é um retrocesso tanto esportivo (o melhor clube do campeonato não será o campeão) quanto em termos de gestão – volta-se à perspectiva de haver clubes de férias em setembro, como ocorria anteriormente, o que arruina um bom planejamento financeiro.
Este ano já temos mudanças sutis na tabela de jogos determinadas pela televisão. A principal delas é o fato de termos jogos aos sábados, às 21 horas, para enfrentar a questão da limitação de “slots” disponíveis no pay per view.
Na verdade nem acho tão ruim este horário aos sábados – teoricamente poderia ser encarado como uma espécie de “pré balada”, mas o público normal de futebol aos domingos certamente não irá neste horário.
Pelo menos no primeiro turno o Flamengo não foi “premiado” com nenhuma partida agendada para este horário, mas em compensação o clube somente fará uma única partida em um domingo (excetuando-se os clássicos) no Rio de Janeiro: contra o Corínthians. Todas as demais serão aos sábados.
Obviamente, a Globo não é a única culpada por este estado de coisas. A desunião e a falta de visão dos dirigentes dos clubes também tem grande parcela de responsabilidade neste monopólio absoluto que está se tornando o futebol brasileiro. No fim das contas, quem perde é o torcedor.
Vamos aguardar os desdobramentos da questão. Mas só tenho a lamentar a maneira pela qual os fatos se desenrolaram e o que se projeta para o futuro imediato do futebol brasileiro.
A propósito, por falar em futuro imediato e mudando de assunto, pedem-me uma opinião sobre a “novela” Adriano no Flamengo. Penso que o problema dele é muito mais de saúde que de falta de responsabilidade (pelo menos olhando de fora o que me parece é que ele desenvolveu um quadro de alcoolismo, que é uma doença), e que simplesmente rejeitá-lo não é a melhor solução.
A meu ver, o jogador deveria se internar em uma clínica e buscar tratamento contra a doença que, ao que parece, tem. Entretanto, como o imediatismo é um grave problema de nosso futebol, penso que pode-se oferecer um contrato de risco ao atleta e, concomitantemente, auxiliar na recuperação – com cláusulas que protejam o clube em caso de compostamentos incompatíveis com a imagem do Flamengo. Adriano com 50% de sua capacidade é melhor que qualquer atacante em atividade no futebol brasileiro hoje.
Entretanto, percebo que a questão se tornou ponto vital para o técnico rubro negro na afirmação de seu poder dentro do clube e, arrisco-me a dizer, de sua vaidade. Infelizmente este é o tipo de situação onde o radicalismo não é a melhor escolha – embora não signifique que eu seja a favor da saída dele, pelo contrário.
A única coisa certa, ao que parece, é que com estes horários de boate para os jogos o Engenhão (acima) continuará vazio…

P.S. – Ando meio afastado dos fóruns rubro-negros nos últimos tempos. Sendo bem sincero, e pedindo desculpas pelo mau termo, ando completamente sem paciência para este “onanismo contínuo e inacabado” que, em maioria, se tornaram os espaços. Às vezes, simplesmente torcer faz bem.


Texto I:
http://pedromigao.blogspot.com/2011/02/televisao-liga-de-clubes-e-o-brasileiro.html

Texto II:
http://pedromigao.blogspot.com/2011/02/televisao-liga-de-clubes-e-manobras-de.html

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