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Alfarrábios do Melo

“Ser flamenguista é muito bom.” (Wanderley Luxemburgo)

Saudações flamengas a todos.

Mantendo a lógica recente, o Flamengo mandou para o espaço o time de guerreiros de boutique, calando mais uma vez uma imprensa que já se ensaiava toda animadinha, na ânsia de eleger apressadamente um novo time queridinho. Oras, esse “supertime” do Fluminense passou o semestre inteirinho apanhando de bacaxás e fazendo vergonha na Libertadores, decepcionando em casa, fora, nos campos, casas ou construções. De repente, por obra de uma casualidade e de combinações interessantes de resultados (ano passado vivemos isso, não é?) se vê novamente na briga, consegue finalmente uma boa vitória e passa a ser tratado como um realmadrid, um manchester, recebendo numa bandeja de prata, com tapete vermelho e champanhe um favoritismo absoluto e unânime contra um adversário que, olha só, ainda está INVICTO, mero detalhe para vendedores de jornal e cronistas coloridinhos. Pois o Flamengo, com os contestados Alvim, Fernando, Wellinton e adjacências, tratou de colocar as coisas no seu devido lugar. Mas que os convivas do Mickey Mouse não se desesperem, afinal não vão ser eliminados pela LDU esse ano…

* * *

Semana passada, o Simões Lopes publicou um Flamengômetro em que levantava uma questão bastante interessante: estaria o Ronaldinho Gaúcho se “bebetizando”?

Eu penso que o Bebeto poderia ter sido, em função de seu talento único, uma superestrela com o status de um Romário, um Ronaldo. De bola para isso ele dispunha, embora não fosse, a meu ver, propriamente um gênio. Mas, por conta de escolhas equivocadas em momentos específicos da carreira (a conturbada saída do Flamengo, o excessivo tempo de permanência no Deportivo, o melancólico pinga-pinga no final), sua trajetória não deslanchou.

Mesmo assim, e com todas as características citadas no post do Simões, com as quais eu concordo (o Bebeto nunca foi mesmo de chamar jogo ou microfone), há que se ressaltar que, mesmo assim, o baianinho foi protagonista de pelo menos quatro momentos cruciais para o Flamengo.

Foi decisivo nas Semifinais e na Final do Brasileiro-87, cintilou na Final do Estadual-86, marcando gol e enlouquecendo a torcida com uma série de embaixadinhas de cabeça (se repete isso hoje, haja patrulha…), foi o craque da sensacional Final da Taça Rio-86 com dois gols e foi o melhor em campo na decisão da Taça Guanabara-89, marcando um dos gols do título.

Ou seja, o Ronaldinho Gaúcho, com todo o seu nome, status e talento fantástico, ainda está no início da sua trajetória flamenga. De qualquer forma, já marcou gol decisivo em pouco tempo. Quem sabe se domingo não podemos ver o Dentuço fazendo gol e se juntando a Valido, Rondinelli ou Pet, por exemplo?

* * *

Por fim, nessa semana decisiva em que o Flamengo está a 90 minutos de coroar uma justíssima conquista (foi, longe, o melhor time do campeonato, com todos os problemas), pontuo uma ironia que tenho reparado.

Quando o Flamengo trouxe Ronaldinho, Thiago Neves e mais alguns coadjuvantes, logo a presença do Luxemburgo e uma outra série de coincidências invocaram 1995. No entanto, o decorrer dos jogos vai mostrando que esse início de ano está mais parecido com outra temporada, justo a do ano seguinte, 1996. Naquela temporada, o Flamengo somente perdeu um mísero jogo em todo o primeiro semestre (pro Inter na Copa do Brasil, numa arbitragem desastrosa do esquecível Dacildo Mourão), foi campeão estadual invicto, e no segundo semestre foi vítima de certa supervalorização do elenco e do alucinante rodízio de jogadores que vigorava na Gávea.

De qualquer forma, estamos novamente vivendo situação análoga à de 1996. Naquele ano, o contexto era o seguinte: o Flamengo havia iniciado mal a temporada, com Joel Santana tendo dificuldades para encontrar uma formação que encaixasse Romário, Sávio, Amoroso junto a nomes como Márcio Costa e Ronaldão. Com problemas na lateral-esquerda, recorreu ao garoto Gilberto (irmão do Nélio, vindo do América), que estourou e foi a revelação da competição. Amoroso jamais se firmou, e passou todo o Estadual revezando posição com o jovem Iranildo. O volante argentino Mancuso era habilidoso e tinha bom passe, mas gostava de uma porrada. O irrequieto Marques e o talentoso Zé Maria (contratado às pressas) completavam o bom elenco.

O time iniciou a Taça GB ganhando jogos aos trancos, com viradas heróicas ou gols nos descontos, mas aos poucos foi se ajustando. O ponto alto era a afinada dupla de ataque formada por Sávio e Romário, que andava em forma exuberante, obcecado pela perspectiva de disputar as Olimpíadas. Ajudado pela má fase dos rivais (o Botafogo vivia forte crise interna, o Fluminense começara a desmontar o elenco do ano anterior e o Vasco também começava quase do zero, com um time totalmente novo), o Flamengo atropelou um a um, e até ganhou a Taça Guanabara com facilidade, ao bater o Vasco por 2-0. Na Taça Rio, o time começou a viver certo desgaste e acomodação, andou perdendo pontos bobos (vencia o Botafogo por 2-1, Romário quis fazer gol de toquinho sozinho com o goleiro, no contragolpe tomou o empate, aos 48 do segundo tempo), mas voltou à briga após uma épica vitória num Fla-Flu, 1-0 jogando com nove (gol do Marques). Na penúltima rodada, o Vasco conseguiu empatar em 0-0 com o Barreira de Bacaxá em São Januário, dando ao Flamengo a vantagem do empate no jogo final, o que seria decisivo.

A final foi tensa, nervosa. O Vasco jogou solto, como franco-atirador. Joel tirou o Flamengo de sua característica e recuou demais o time, que sofreu intensa pressão (bola na trave, Roger fechando o gol), e somente tomou as rédeas do jogo nos 20 minutos finais, quando o Vasco finalmente desanimou. E o Flamengo inclusive poderia ter vencido, não fosse um inacreditável impedimento de Iranildo marcado no último lance da partida.Mas, de qualquer forma, o 0-0 deu o título invicto ao melhor time do Estadual.

Que a história se repita no domingo.

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