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Flamengo de pai para filho: um milagre de Natal

*Por Maurício Neves de Jesus, com acervo de fotos de André Dória
Atribui-se a Bill Shankly, lendário treinador do Liverpool, a seguinte frase: “O futebol não é uma questão de vida e morte. É muito mais importante do que isso”.
Shankly não está mais entre nós, faleceu um pouco antes da decisão do Mundial de 1981 entre Flamengo e Liverpool. Mas quem passa por Anfield Road, pode ver sua estátua em frente ao estádio, a dizer que o futebol é a coisa mais importante da vida mesmo após a vida.
Lembrei-me da frase de Bill Shankly ao receber o e-mail que reproduzo abaixo, de meu amigo André Dória. Assim como tantos de nós, André herdou o amor pelo Flamengo de seu pai. Wilson Baptista da Fonseca Dória criou os filhos sob o manto do rubro-negrismo.
Ano passado, o Dória – como era mais conhecido entre os amigos – faleceu. André encontrou entre os pertences do pai várias preciosidades rubro-negras. Um exemplar intacto do álbum gigante da Manchete Esportiva sobre o Flamengo campeão do mundo. Também com estampa do título mundial, uma toalha de banho, ainda lacrada. Long plays com as narrações de gols do melhor Flamengo de todos os tempos.
Pequenos tesouros flamengos que, ao invés de guardar, André confiou aos meus cuidados, em um dos gestos que mais me emocionou ao longo dessas quatro décadas de vida rubro-negra.
Porém, uma coisa André não havia conseguido encontrar. Já há alguns anos ele me contou de uma tarde que passou na Gávea, em 1979, junto com seu irmão Alexandre Dória, hoje um oficial Fuzileiro Naval, que herdou a carreira militar que o pai fez no Exército, também como oficial. Havia um álbum de fotos com registros deles junto aos jogadores, mas André não conseguia localizar o álbum. Imperdoável, disse eu, na esperança de que André revirasse cada gaveta desse mundo em busca das fotos.
Ontem, 22 de dezembro de 2011, exatos 11.849 dias após aquela mágica tarde na Gávea (contados em uma Planilha Excel), ao fazer a penúltima visita ao apartamento onde o Dória viveu até nos deixar, André encontrou o tal álbum com várias fotos 12×8. Dezoito fotos de uma tarde de inverno na Gávea em 1979, mais precisamente um 14 de julho de 1979 conforme escrito na contra-capa do álbum.
A emoção da descoberta só pode ser medida através das palavras do próprio André. Uma emoção rubro-negra que ensina que o Flamengo é muito mais do que um time de futebol. É uma força que nos aproxima ainda mais de quem amamos durante toda a vida e, como comprova este milagre natalino de as fotos terem sido encontradas, até mesmo após a vida.
Abaixo, três gerações rubro negras na foto: Vô Dória acompanhando a estréia do neto Enzo no Maraca. Missão cumprida.


Obrigado, Dória.


Obrigado, André.

Feliz Natal, Flamengo.
Abaixo, todas as fotos do acervo de André Dória.

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