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Calúnia do Rúbio Negrão

Sejemos cinseros: não sei se pela busca de segurança ou por pura comodidade, o ser humano é chegado a um lugar-comum. Demais. Só que não se apercebe do impacto disso nas relações sociais e profissionais. É algo meio mecânico, impensado, como torcer pelo Botafogo.

Só pra exemplificar, o que se costuma dizer pra amiga modelete que acaba de lançar o seu ensaio nu numa revista? Invariavelmente, “As fotos ficaram de muito bom gosto.” E pronto: tem-se uma amiga, além de mais rica, feliz e orgulhosa, e, acima de tudo, mais leal.

Pois bem. No início do ano passado, após prolongado leilão, Ronaldinho (ou Assis) optou por jogar pelo Flamengo. Isso já teria sido razão de sobra para orgulho da massa rubro-negra.

Só que, não satisfeito com a boa escolha, Ronaldinho (ou Assis) ainda cunhou uma frase histórica, que fez com que ganhasse imediatamente o apoio mesmo do mais potente pulmão entre os nossos cornetas: “E o Flamengo é o Flamengo.”

Foi a senha para que a galera, já extasiada, o pegasse no colo, e ali o mantivesse a temporada inteira, apesar de o seu primeiro ano de Flamengo não ter sido tão genial quanto os seus anos de Barcelona.

Daí, ao perceber que o que salvou o relacionamento do craque com a torcida foram as seis singelas palavras de uma simples frase (apesar de entre elas constar o poderoso termo “Flamengo” duas vezes), imaginei: “Que grandes milagres uma reles sentença poderia obrar pela carreira de um jogador menos abençoado que o R10 durante a sua estada no Mengão?”

Porque, convenhamos, a fase oral do desenvolvimento do boleiro brasileiro já passou. Os caras já estão na fase fálica há muito tempo. Digo isso porque não há mais o menor motivo para manterem aquele ritual altamente desconfiável de beijar o escudo da camisa do clube a que servem. (Prova disso é que se vocês buscarem na rede, encontrarão uma foto minha com a boca ansiosa num escudo do São Paulo. Só que na legenda da foto certamente não constará que eu me encontrava bebaço, pensando que tinham me levado pra comer pizza!)

Como os tempos mudaram, e os boleiros de hoje estão conscientes de que, para brilhar no Flamengo, vão necessitar menos do próprio futebol do que do apoio incondicional da torcida, me veio a ideia (sem acento essa orra, mas, um dia, ainda hei de me acostumar!) de iniciar uma assessoria de imprensa voltada para a imensa massa de inexpressivos que vêm envergar o nosso sagrado manto.

Basicamente, o meu papel seria cunhar frases de efeito para posicionar essa multidão no colo do torcedor, por um preço mais em conta do que a caixinha cobrada por certas organizadas pelo mesmíssimo serviço.

Imaginem o desconhecido Carlinhos Belvedere recitando, em lágrimas (o cristal japonês também estaria incluído no preço): “Escolhi o Mengão, mas respeito todas as outras opções sexuais.”

Êxtase na Gávea!

Mais o goleiro Tuca Piratininga mandando: “Seja qual for a religião do adversário, fazer gol no Mengão agora é pecado.”

Enlevação da galera! 

Ou o possante Fubazinho: “Optei pelo Rubro-Negro porque todos os outros times são meros cuadejuvantes.” (“Cuadejuvantes” assim mesmo, só pra dar credibilidade.)

Deleite da nossa diretoria!

Agora o meia Aerosvaldo, com o seu magnífico topete descolorido: “Não vim só pra realizar o sonho da casa própria, mas também o da torcida própria.”

Essa foi fraca, mas também o cara é completamente analfabeto!

Uma excelente frase pra ser dita por um treinador promovido dos juniores para o time principal: “O Flamengo é a prova de que é impossível ganhar tudo, sempre.”

Desculpa pronta, porém eternamente útil.

E o que dizer deste fraseado, que soaria belíssimo, partindo da boca de um Edemir ou Genésio Furacão: “O Flamengo é muito massacrado quando perde porque a pena de um rei é sempre a morte.”

Eu choraria.

E o que dizer destas pérolas:

“Na religião flamenga não existe o inferno.”

“Darei tudo pelo Mengão, mesmo que tenha que ficar a noite toda treinando fundamentos.”

“Ser Flamengo até morrer é pros fracos! Eu vou viver pelo Flamengo!”

“É verdade que o Zico já respirou aqui dentro?”

“Jogar no Flamengo, todo jogador sonha, até quando está dormindo.”

“Eu era Flamengo e não sabia.”

“Peço desculpas à torcida pelo suor com que vou manchar este manto sagrado.”

“Meu sonho era jogar no Barcelona. No Flamengo, nunca achei que conseguiria.”

Putz, parei!


Duplex Toc Zen

1 – Potosí Facts 1: Espero que o R11 consiga correr um pouco mais rápido a 4 mil metros de altitude.

2 – Potosí Facts 2: Em Potosí, se o gigante Alex Silva pular nas bolas pelo alto, periga morrer asfixiado.

3 – Potosí Facts 3: Tem jogador rubro-negro que sobe tanto o morro, que já chegará a Potosí totalmente adaptado à altitude.

4 – Potosí Facts 4: Real Potosí x Flamengo é o típico jogo em que até jogador fominha gosta de ser relacionado pro banco de reservas.

5 – Potosí Facts 5: Se da Linha Vermelha, neguinho fica dando tiro em avião, lá de Potosí, a galera pega mais leve: fica só cuspindo no teto.

6 – Potosí Facts 6: A Pat perguntou pro Luxa: “Vai escalar o time pra Potosí?” E ele respondeu: “Não, vamos de avião mesmo.”

7 – Potosí Facts 7: Não temam, porque mesmo em Potosí, o Mengão estará jogando em casa. Na casa do car%#lho.

8 – Potosí Facts 8: Agora, mais do que nunca, Adriano queria ser jogador rubro-negro só pra enfrentar o Real Potosí a 4 mil metros de altitude, e poder realizar o seu sonho de jogar completamente alto.

9 – Potosí Facts 9: A partida contra o Real Potosí será a última oportunidade que alguns  dos nossos medalhões terão de jogar em alto nível.

4.000 – Potosí Facts 10: Não haverá desculpas para um fracasso em Potosí, porque se o jogo se dará a 4 mil metros acima do nível do mar, ele também será a uns 2 metros abaixo do nível do ar.

11 – Potosí Facts 11: A definição da vaga para a Liberta será resolvida no Rio. Em Potosí, a 4 mil metros, o negócio será o Mengão lutar por um O2 x O2.

12 – Potosí Facts 12: Ao contrário do que muitos pensam, não será mico perder do Real Potosí. Mico seria perder do Fake Potosí.

13 – Potosí Facts 13: O Potosí, a gente já sabe que será o Real. Resta saber se o Mengão também vai ser o verdadeiro.


14 – Twitter Cassetadas da semana (em tempo real só em @rubionegrao):

Em virtude de uma contratura na parte posterior do meu dedo mínimo direito, hoje excepcionalmente não haverá as Twitter Cassetadas da semana.

E chinelinho é a ponte que partiu!

Nada mais faço, mas na semana que vem, mais #PotosiFacts. (Risada gutural.)
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Sobre flamengonet

jornalista

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