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E la nave va…

O filme de Federico Fellini mostrava um enterro em um luxuoso navio, onde colegas, familiares e amigos homenageavam uma cantora de ópera. Começando como um documentário e se assumindo como um filme surrealista no final. E La Nave Va passava a impressão do fim dos nossos sonhos, mas não do nosso sonhar. A falecida Edmea Tetua não surge cantando, mas em nenhum momento o tom de estranhamento do filme passa. Sonho, pesadelo ou realidade?

O título evoca a sensação de uma embarcação, homens, ideais, sonhos e diretores à deriva. Não tentem entender a realidade, remem com a maré. Não é muito diferente do Flamengo que vemos hoje.

Quase duas semanas após a eliminação, o clube não definiu seu diretor-executivo, qualquer contratação ou sequer um amistoso. O vice de relações externas Walter Oaquim culpou o feriado pela demora. Aquele mesmo que era de conhecimento público desde que imprimiram o primeiro calendário de 2012, mas que na Gávea só se deram conta na sexta-feira. Afinal de contas, nas palavras do dirigente, “a diretoria precisava descansar”.

Curiosamente, Oaquim, cansado ou não, se dispôs a responder uma newsletter que publicava uma notícia sobre o balanço do clube. Afinal de contas, essa diretoria não trabalha rápido pelo futebol, mas é ligeira na hora de explicar seus erros com as lembranças do passado. Luxemburgo demitido? Ah, o Márcio Braga também demitiu. O balanço é desastroso? Ah, mas o do outro presidente também. E por aí vai, nau à deriva. Pouco importa as ações e resultados, o que importa é uma pantonímia de gestos falsos, uma alegoria de meias-verdades e uma coletânea de dirigentes tirando a câmera da cena e focando nos torcedores. “Estamos cansados”. Fade out.

A torcida então… Deve estar exausta. Exaurida de torcer por uma gestão que recebeu o melhor time do Brasil e em três anos destruiu implacavelmente até obter a quarta força do Rio de Janeiro. Enfraquecidos por uma diretoria nitidamente perdida a semanas do início do brasileiro propondo negócios na base do escambo, estilo que sempre enfraqueceu o clube financeiramente ao sacrificar o futuro por uma chance pequena de presente. Torcedores estão desnutridos de prazer, alegria e identificação com esse Flamengo.

Cansaço? De que se cansam esses dirigentes? De desmoralizar a torcida? De cometer erro atrás de erro? De enganarem a imprensa e torcedores dia após dia, garantindo que tudo está bem enquanto não conseguimos um único dia sem notícias ruins? Do quer diabos essa gente, que brada aos céus da surrealândia que fazem um ótimo trabalho, está cansada?

E La Nave Va… À deriva, o Flamengo navega nos mares turbulentos do mercado esportivo, que não sente pena do torcedor. Onde tubarões sorriem satisfeitos com tanta omissão e falta de força de uma diretoria incapaz sequer de pedir ajuda internamente para compensar sua incompetência. Afinal de contas, quem é mártir de ajudar politicamente uma direção tão inepta e desinteressada em fazer seu torcedor feliz?

E nessa jornada cruel, 35 milhões de torcedores respiram fundo na esperança de que o ano acabe logo sem saber que podemos estar apenas na metade desse cruzeiro nonsense. E se a primeira fração já foi uma farsa, qual tragédia surrealista nos espera em um novo mandato? Que São Judas Tadeu tenha piedade do Flamengo pelos próximos meses ou anos. Outros clubes e torcedores é que não terão.

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