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Alfarrábios do Melo

Saudações flamengas a todos.
Enquanto o time vai capengando em campo, começa a ser discutida a situação de alguns dos medalhões cujo contrato se encerra agora no final do ano. De uma forma ou de outra, Renato, Kleberson e Leonardo Moura estiveram meio que na berlinda essa semana. Aliás, com a contusão do capitão, começam a ser dadas oportunidades mais concretas ao jovem Wellington Silva, egresso do Resende, numa contratação que se reveste de mais uma aposta em um nome pouco conhecido, nesses tempos de dinheiro escasso.
É uma política que pode dar resultados interessantes, se usada com critério e moderação. Nomes recentes como Aírton e Willians foram garimpados dessa forma, e ambos tiveram passagens vitoriosas. Outros nomes que compõem equipes campeãs também vieram a custo (relativamente) baixo, e souberam superar o descrédito inicial, construindo carreiras sólidas. É de alguns desses que começo a falar essa semana.
Boa leitura.
ZÉ CARLOS (1984-1991, e 1996-1997)
Chamou a atenção pelas boas atuações no modesto Rio Branco-ES (que chegou a derrotar o Cruzeiro no Mineirão), no Brasileiro-1984. Contratado pelo Flamengo como terceiro goleiro, ascendeu ao posto de titular após a saída de Fillol e uma contusão de Cantarele, já no ano de 1986. Seu impressionante reflexo, aliado à descomunal envergadura (era chamado de Zé Grandão), rapidamente o fez cair nas graças da torcida e da crônica. Viveu seu melhor momento no Brasileiro de 1987, com atuações antológicas que o levaram à Seleção Brasileira. Saiu em 1991, retornando ao clube em 1996, sem o mesmo brilho (ficaria por um ano). Campeão Estadual, Brasileiro e com passagem em Copa do Mundo, Zé Carlos é um dos maiores goleiros da história do Flamengo.
CHARLES GUERREIRO (1991-1995)
Não chegou a ser propriamente barato, pois veio trocado pelo volante Ailton e pelo meia Toninho (ex-Portuguesa). Mas chegou à Gávea completamente anônimo, e suas credenciais não animavam, com passagens por Paysandu e Guarani. Alguns mais atentos ainda se lembravam de um belo gol marcado contra o Botafogo, e pouco mais se sabia de Charles. No início, atuando como volante, pouco empolgou, mas sua passagem no Flamengo ganhou uma guinada quando passou a ser improvisado como lateral-direito, posição que já se tornava um problema crônico na equipe. Apesar da nítida deficiência técnica, Charles rapidamente caiu nas graças do torcedor, por conta de seu futebol extremamente voluntarioso e aguerrido, além de aplicado taticamente. No Flamengo Charles viveu o melhor momento da carreira (chegou à Seleção Brasileira), sendo importante nas conquistas do Estadual-91 e do Penta Brasileiro em 1992. Permaneceu na Gávea até 1995, quando começou a perambular por outras equipes, sem jamais repetir o sucesso flamengo.
MARINHO (1980-1984)
O Flamengo foi jogar em Londrina pelo Brasileiro de 1979. Jogo duro, empate (1-1) e uma atuação de gala de Marinho que encheu os olhos de Cláudio Coutinho. Assim começava a se desenhar a contratação de zagueiro, que não demorou a se firmar na equipe, barrando nomes como Nelson e Luís Pereira. Muito bom no jogo aéreo e detentor de uma técnica invulgar (embora sujeito a esporádicos apagões), chegava com enorme facilidade à frente, tendo marcado gols históricos e decisivos (Atlético-MG, na Libertadores-81 e Santos, no Brasileiro-82, ambos nos minutos finais). Titular da maior equipe da história do Flamengo, ganhou tudo o que disputou e chegou à Seleção Brasileira. Começou a perder espaço com a chegada de Cláudio Garcia (que preferia Figueiredo), e foi negociado com o Atlético-MG em 1984.
RONALDO ANGELIM (2006-2011)
Chegou ao Flamengo em 2006, credenciado pelo ótimo Brasileiro do ano anterior, onde chegou a ser indicado o melhor zagueiro da competição, defendendo o Fortaleza. Mas Angelim demorou a se firmar, vítima da bagunça administrativa em que o rubro-negro andava mergulhado. Preterido com Ney Franco (que escalou Irineu, Moisés e Thiago Gosling), quase foi negociado, mas voltou a ganhar chances com Joel Santana e cresceu assustadoramente de produção ao lado do experiente Fábio Luciano. Bastante técnico e com ótimo posicionamento (impecável no jogo aéreo), Angelim foi protagonista na conquista de vários Estaduais, de uma Copa do Brasil e do Hexa Brasileiro em 2009, quando chegou ao ápice da carreira ao marcar o gol do título. Caminha para a merecida aposentadoria (atualmente defende o Barueri), e já garantiu lugar reservado na memória da Nação Rubro-Negra.
JORDAN (1952-1963)
Após despontar no São Cristóvão, Jordan chamou a atenção dos grandes da capital, mas preferiu o Flamengo, seu clube de coração. Atuando como médio pela esquerda, lateral-esquerdo ou zagueiro, notabilizou-se pela primorosa técnica com que efetuava desarmes e dava sequência à saída de bola da equipe. Em diversas entrevistas, foi apontado por Garrincha como o seu marcador mais leal. Jordan formou com Jadir e Dequinha uma das mais célebres linhas médias da história flamenga, e teve trajetória longa e vitoriosa no rubro-negro, conquistando Cariocas (foi titular absoluto no timaço do segundo tri), o Torneio Rio-SP de 1961 e vários torneios nacionais e internacionais. Antes de Júnior, era considerado o melhor lateral-esquerdo da história do clube e por muito tempo foi o recordista de atuações pelo Flamengo. Deixou o rubro-negro em 1963, após desentendimento com Flávio Costa, mas, mesmo relativamente novo, preferiu encerrar a carreira, pois não admitia a hipótese de defender outras cores.
Semana que vem: meio-campo e ataque.
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