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Alfarrábios do Melo

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1994.

O modesto e esparso amontoado de grupelhos que bebem e jogam conversa fora mal percebe quando se abrem os portões do acanhado estádio. O clima é tranquilo, algo silencioso, lembrando as menos gloriosas e mais relaxantes tardes de jogos contra os pequenos do Estadual. Aos poucos, os intermitentes cachos de gente vão se acomodando no cimento tépido, buscando as sombras menos fartas que a ampla oferta de lugares à disposição.

Mas não se respira calma. O ar parece pleno de um pesado desânimo.

Para o Flamengo, vai chegando o fim do Campeonato Brasileiro, e com ele uma das suas mais melancólicas participações, um desfecho adequado para uma das eras mais sombrias de sua história.

Tudo, absolutamente tudo deu errado. Havia esperança, um novo nome, renovação, modernidade, transparência. Um time campeão brasileiro com uma base de jogadores relativamente jovem, os craques da Copinha já fazendo sua transição para o profissional (alguns já, inclusive, titulares), a perspectiva de dias gloriosos acariciando fortemente os pensamentos de uma Nação orgulhosa e satisfeita.

Mas tudo foi perdido.

A equipe que o Flamengo vai mandar a campo é um bando, um amontoado de garotos assustados e esforçados, cujos líderes são Nélio e Charles Guerreiro, justamente os únicos titulares remanescentes da equipe que arrebatara o penta brasileiro. O adversário é o Corinthians, já classificado para a fase seguinte, e que por isso manda seus reservas. E assim mesmo é tido como favorito.

Gilmar, Gotardo, Uidemar, Gaúcho, Zinho se foram, o Maestro Júnior se aposentou. E os jovens que deveriam ser os novos nomes do time foram saindo, quase em fila indiana. Djalminha, Marcelinho, Rogério, Júnior Baiano, Piá. Rigorosamente um time inteiro, reposto por medalhões caros (Renato Gaúcho, Nilson, Valdeir), jogadores medianos e fugazes (Carlos Alberto Dias, Boiadeiro, Edu Lima, Éder Lopes) ou mesmo com sérios problemas de lesões (Charles Baiano, Casagrande).

Não tinha como dar certo. E não deu.

De repente, o já escasso dinheiro acabou. E mesmo os reforços foram embora. Sem a base, sem os garotos, sem os medalhões, sem ninguém, o Flamengo se torna uma caricatura, um arremedo de equipe, que promove apressadamente meninos como Magno, Hugo, Marçal, Índio, Rogers. Um deles se mostra diferenciado, o loirinho Sávio, e são seus pés e seu futebol faiscante, ao lado do carisma do treinador Carlinhos Violino, que salvam o time do risco de um inédito e esperado rebaixamento no Brasileiro, com uma surpreendente campanha na fase preliminar.

Mas é pouco. Na fase seguinte, a equipe desaba. E com ela, toda uma alma.

Pois o Flamengo protagonista, campeão, postulante a qualquer título que se disputasse em qualquer esfera, rapidamente se vê reduzido ao nível dos potentes Paysandu e Paraná, com quem briga acirradamente para fugir da lanterna. Sofre goleadas sucessivas e recorrentes, mesmo para times mistos. Pratica um futebol indigente, incompatível, sob todos os aspectos, com a grandeza das cores e do escudo que ostenta e defende. O toque de bola refinado dá lugar a uma sucessão de caneladas e coices, a correria, antes organizada e inebriante, ainda está lá, mas a esmo, qual um tropel de renegados.

Sem capacidade de reação, sem criatividade e provavelmente sem mais nada, a diretoria apenas trabalha em busca de uma possível e temida reeleição. Acena-se com a perspectiva de venda das joias restantes (Sávio é pretendido pelo São Paulo, Paulo Nunes pelo Grêmio, Marquinhos está brigado e quer sair), e não se vislumbra nada para reposição, salvo mais vexames.

Enquanto isso, o Palmeiras de Zinho, o São Paulo de Júnior Baiano, o Corinthians de Marcelinho e o Guarani de Djalminha vão caminhando para disputar o título brasileiro.

Começa a partida, Flamengo e Corinthians até fazem um joguinho animado e corrido, o rubro-negro sai na frente no início, os paulistas passam o resto do tempo tentando pressionar e perdendo chances, mas já a cinco minutos do fim o Flamengo define a vitória, com uma cabeçada de Magno, 2-0. Os poucos torcedores ignoram os gols, a atuação, concentram-se em hostilizar a moribunda gestão (apesar da busca pela reeleição) com faixas e cantos, fazendo política de forma ostensiva, talvez remunerada.

Cai o pano, encerra-se um ano, uma temporada, uma gestão, um desastre. Ainda haverá mais dois joguinhos contra o América, em um torneio amistoso inventado pela Federação, mas o time é invariavelmente derrotado, um reflexo perfeito e acabado de um dos piores períodos da história do clube, um fulminante processo de desmonte e apequenamento quase sem precedentes. Abatida e indiferente, à Nação apenas espera por dias melhores, que certamente virão. Afinal, é impossível que algum fenômeno parecido possa se repetir, não é concebível que um clube da dimensão do Flamengo seja reduzido a um patamar mediano, coadjuvante, perdedor.

Não, não haverá nunca mais nada parecido.

Assim a Nação espera. E, enquanto apenas contempla, o futuro está à espreita.

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44 comentários em “Alfarrábios do Melo

  1. Triste. O clima é exatamente esse. E esses caras ainda batem no peito e dizem que merecem a reeleição.

  2. Grande Melo!!! Lembro-me desta época como se fosse hoje. E hoje, infelizmente, está como se fosse naquela época. De bom (ou ruim, não sei dizer ao certo) é que a diretoria foi trocada. Ou estou errado?
    SRN!!!

    • Wagner, foi trocada, entrou o KL, que ficou de 1995 a 1998. Aí em 1999 entrou o ESS, que foi “saído” em 2002, depois o Gilbertinho e o Ferraz assumiram um mandato-tampão, em 2004 entrou o M.Braga, que se licenciou em 2009 pra entrar o Delair, que fechou o mandato. E aí anoiteceu.

  3. Bom dia a todos,

    Sensacional Melo !

    A PA conseguiu superar dirigentes até então inalcançáveis em termos de incompetência (Veloso e ESS) e montar um esquadrão da mediocridade: O próprio Veloso, sua mulher, Cristina Callou (quais as qualificações dela para o cargo ?), Walter Oaquim, Arthur Rocha (gênio responsável pela contratação do dimba e a consequente a saída do Junior), Leonardo Ribeiro (que ganhou o titulo, juntamente com o peruano, do ESS) e Helio “conto erótico” Ferraz.
    Além destes, ela nos brindou com nomes do quilate de Henrique Brandão (vice de marketing (?)), Marcos Duarte (diretor de marketing), Cacau cota, Cascão, Levy …

  4. “No meio, Ibson foi barrado por Dorival Júnior. Para o setor, o técnico optou por manter Airton e promover a volta de Amaral e Renato, que estavam suspensos. Na zaga, Welinton, que também cumpriu suspensão, permaneceu fora. Com isso, a provável escalação do time contra a Lusa será Felipe; Luiz Antonio, Frauches, Renato Santos e Ramon; Amaral, Airton, Renato e Cleber Santana; Vagner Love e Liedson.”
    http://glo.bo/S1m5uq

    Vamos ter finalmente um time sem Ibsono e Léo Morto, nem acredito. Falta apenas um armador nesse time, infelizmente o Adryan parece que levou o 3° amarelo e está fora também.

  5. Mano continua tentando se enganar e enganar a torcida. Pega seleções fracas e avalia como se fossem um grande adversário.
    Se o Japão soubesse pelo menos chutar a gol, o jogo teria sido parelho em n° de gols, já que ele chegaram varias vezes na área do Brasil, porém não sabiam como finalizar a gol.

    • O Japão não é seleção de ponta, mas não chega a ser fraca também.

      • Mas é uma seleção com muitas deficiências técnicas. Eles tem é coletividade, mas falta categoria a maioria dos jogadores. E assim, pra mim, se torna um seleção fraca.

        • Cara, eles tem um jogador na Inter, são um time organizado. “Fraco” é subjetivo. O Iraque é baba assim como outros. O Japão tá no mesmo nível de algumas seleções européias e chegou a fazer bons jogos contra times como a França, por exemplo.

          • Ganhou da França, 1 a 0. E tem o Kagawa, ex-Dortmund e agora no Manchester United, um dos melhores times do mundo. Ainda é fraco, mas melhor que China e África do Sul, certamente.

  6. “não, não haverá nunca mais nada parecido”…

    Nunca é muito tempo, né, Melo?

    Grande texto.

  7. Felipe; Luiz Antonio, Frauches, Renato Santos e Ramon; Amaral, Airton, Renato e Cleber Santana; Vagner Love e Liedson

    Alguém chuta um banco?

    considerando a indigência do elenco, é o melhor que temos hoje para colocar em campo, eu acho…

    A volta de Caceres (no lugar do Airton), Gonzales (Frauches) e Adryan (Renato ou CS), seriam as únicas modificaçoes que eu faria…

  8. Melo, texto excelente, em forma e conteúdo.

    Obviamente, você está compilando todo este material luminoso para um futuro livro. certo?

  9. Eu tenho vivo e forte receio de um segundo mandato da moça. Aliás, se isso acontecer e a gestão for na mesma vibe desse primeiro mandato, ela não emplaca nem um ano. É derrubada antes, não tenho a menor dúvida disso. E sabe-se lá o que emergiria desse cenário.

    Sobre o time para quarta, parece mais equilibrado, embora padeça seriamente de falta de velocidade. Parece ser uma formação para “achar” um gol e cozinhar. Fato é que apenas o Adryan, hoje em dia, é quem areja esse time (mas o rapaz do Ipatinga pode surpreender, não é cego).

    Negão, quanto ao livro vamos ver rs.

    • Eu tenho a mesma preocupação. Será possível que ela vai ganhar? Alguém lembra se o Veloso era candidato a reeleição em 94? Eu acho que a gestão dessa mulher é muito parecida com a dele, que considero a mais danosa em termos esportivos até ela assumir. Mas dona patricia está superando de longe. A do ESS, pra mim foi criminosa e prejudicou muito o clube financeiramente.

      • O Veloso era candidato sim. A Patrícia pra ganhar tem que tirar um coelho da cartola, que ela não tem como. Tem boato de que no contrato da Adidas trariam um craque internacional, mas acho improvável isso esse ano. Pra mim, a chance dela é se unir com outra chapa, aceitando não ser mais presidente. Vamos ver.

        • O Veloso foi candidato à reeleição, mas ao contrário da situação atual a derrota dele era tida como certa, até porque o arco dele era bem mais restrito (perdeu o apoio das organizadas, por exemplo).

          Não sei qual foi a votação final na época, mas tenho um texto que diz que, em uma pesquisa pré-eleição, o KL tinha 45% e o Veloso estava quase empatado com o Júlio Gomes, ambos com cerca de 15%.

        • Excelente esse enfraquecimento. Acredito ser em função da não eleição à câmara municipal. Não podemos ficar mais 3 anos nas mãos desse tipo de gente.

        • No site do FlaCampeão do mundo, tem uma pesquisa que dá o Wallim em 1o lugar.

    • Adorei o Wellington Bruno, profissionalmente falando. Como disse Brian Epstein ao ver John Lennon tocando pela primeira vez, “Esse garoto parece saber o que está fazendo”.

      • Sim, ele parece levar jeito. Não vi os jogos contra Curintia e Cruzeiro, mas o pouco que vi dele contra o Bahia mostrou que o rapaz pode ser útil. É arisco, driblador, tem alguma habilidade.

        Isso se o deixarem ter sequência.

  10. Outra coisa. O Léo Moura renovou? Ainda não, né? Então, tá.

  11. vcs sabem a diferença entre medo e pânico, né?

    medo é quando, pela primeira vez, vc nào consegue dar a segunda.
    Pânico é quando, pela segunda vez, vc não consegue dar a primeira.

    baixo nível a parte, estou em pânico com a possível reeleição da Patrissa e a possível não reeleição do Obama.

    É sério, os dois cenários seriam catastróficos para as duas maiores nações do planeta…

  12. Excelente texto. Isso nos leva a pensar como as coisas são cíclicas em se tratando de Flamengo. Lembro que após os nossos anos de ouro tivemos algumas gestões calamitosas, 84 a 86. Depois Marcio Braga retornou e fomos campeões em 87 e depois mergulhamos novamente em uma gestão indigente em 89 e 90. Logo após Marcio Braga retornou novamente e fomos campeões em 92 e daí em diante todo mundo sabe o que ocorreu. Só fomos campeões novamente com o Marcio. Será que não há ninguém competente/preocupado em fazer desse clube um exemplo e exercer todo o potencial que ele tem? Porque será que só fomos campeões brasileiros com o Marcio Braga no comando?

    • Luiz, talvez porque o MB tivesse um mínimo de capacidade administrativa, que faltava em nomes como Helal e Gilbertinho, por exemplo.

      Aliás, desses presidentes um outro bom gestor era o Dunshee, era responsável com as finanças, (não contratava de qualquer jeito, por exemplo), procurava montar boas equipes de assessoramento, saiu deixando o clube em boa situação. Problema dele foi o relacionamento conturbado com alguns jogadores e o caso da venda do Zico, em que lhe faltou habilidade.

  13. Importante: ROBERTO te mandei um email importante. Peço a todos que se o Roberto aparecer aqui e começar a comentar, alertem a ele disso. É sobre as eleições e é importante. Valeu.

  14. Saiu no jornal Mais Vencer de hoje, não tem link, que o Marco Braz renunciaria à sua candidatura para apoiar o Jorge Rodriguez. E que a foi finalmente confirmada a impugnação da candidatura do Peruano (Thanks God).

  15. Boa tarde a todos.

    Ótimo texto Melo.

    Impressionante como as coisas que ocorreram em 1994 são praticamente idênticas a 2012.

    Este pesadelo chamado Patrícia Amorim precisa acabar de uma vez por todas, será insuportável aguentar mais um triênio dessa catástrofe.

    O Flamengo necessita urgentemente de um choque de ordem e de gestão.

  16. “Afinal, é impossível que algum fenômeno parecido possa se repetir, não é concebível que um clube da dimensão do Flamengo seja reduzido a um patamar mediano, coadjuvante, perdedor.

    Não, não haverá nunca mais nada parecido.”

    O mundo dá voltas…

    Flamengo e palmeiras tão aí pra provar.

  17. Ótimo texto Melo!E triste ao mesmo tempo…

    Eu me lembro desse jogo contra o Corinthians. o Sávio comeu a bola. Se eu não me engando, depois desse jogo começaram a chamar o Magno de “Romagno”. Nunca se imaginaria que o Romário, futuramente, jogaria aqui.

    SRN!

  18. Tem uma teoria que reza que a paixão pelo futebol se consolida e marca a alma do torcedor na faixa dos 13-15 anos de idade.

    Não sei se há mais para fundamentar isso, mas no meu caso ela se aplica perfeitamente. Nessa fase vivi intensamente a euforia do penta em 1992, e a subsequente depressão da sinistra “era Veloso”. Imaginava eu, depois da sua saída, que jamais teríamos presidente pior. E hoje está aí, a “era Pat Ética” para provar o contrário.

    Em 1995, Kleber Leite sucedeu Veloso, inaugurando novo ciclo administrativo no Flamengo, um pouco mais pujante, mas não menos caótico. Que em 2013 os erros não se repitam.

  19. tai um video que gostaria de ver postado todos os dias.
    se possivel um de manhã e outro a tarde.

    boa edição.

    grande texto Melo!!!!

  20. Consta que Karl Marx escreveu que “A história se repete, a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa”. Para desmentir Marx, vamos torcer para que fiquemos apenas na tragédia do 1o. mandato da Patrícia, porque um segundo seria a farsa que confirmaria a citação e implodiria o Flamengo.

  21. O ano de 1994 vai ficar para a história como o começo do fim. O flamengo que eu conheci na minha infância e estava acostumado a acompanhar vai dar lugar ao flamengo que eu passei a a companhar na minha idade adultam quase que a negação do primeiro. Houveram dois soluços, um em 1999 quando ganhamos a mercosul e outro em 2009 quando ganhamos o brasileiro que eu pensei que os dias negros teriam acabado, mas pelo jeito vou ter que esperar até 2019 para ter uma nova ilusão. Da eleição no final do ano eu não espero nada de bom. Acho que o flamengo só tomará jeito com intervenção da justiça comum, nem rebaixamento fará o clube se depurar. Apoio qualquer advogado do blog que pensar em uma ação coletiva de como mudar a situação: ilegalidade do estatuto, intervenção do governo federal para pagar as dívidas, etc.

  22. Parabéns Melo! Mais um texto brilhante. Padrão de qualidade mantido.

    Curioso, eu lembro bem desse campeonato, mas não especificamente desse jogo. Recordo de um 5×2 no Maraca e 0x1, pra eles, no Pacaembu. Acho que a razão da recordação de 1994, foi um pouco por causa do Sávio. Talvez, porque eu guardava uma esperança messiânica, Zico, como ocorreu nos anos 70 e 80.

    Sobre a avaliação das gestões, ou melhor, a comparação. É perfeita. Por outro lado, fico triste, desesperado e espero estar errado, mas desde o fim da Geração de Ouro, andamos em ciclo, o qual temos um breve período de vitórias mais marcantes como 1992 e 2009, outras em grau menor como 1990, 1999 e 2006. Depois, isso se esvazia e vem uma depressão como essa que você destacou. Nisso daí, eu observei um ponto que, talvez, já tenha sido destacado por vocês, enfim, muda-se até o nome do presidente, mas aparentemente alguns nomes se repetem nos mandatos que acentuam a crise institucional.

    Na gestão do Veloso, não sei quem era quem. Porém, gestão do ESS, sabemos que, ao menos, Patrícia e, salvo engano, Capitão Léo participaram. E agora, na gestão dela, tivemos Veloso, Helinho e Capitão Léo.

    Por fim, gostaria saber, sobretudo, daqueles que são sócios se não é possível levantar o corpo de dirigentes desses mandatos. Presidente Conselho Deliberativo, Fiscal, as VPs e diretoria de futebol. Daí, se possível, montar um quadro comparando com outros mandatos e relacionar com desempenho esportivo e financeiro. Isso não pode ser apenas uma infeliz coincidência, deve ter algum padrão.

    SRN

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