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Análise da entrevista

O post é longo, vou logo avisando. Provavelmente vocês já devem ter visto a entrevista da presidenta no UOL. Achei uma boa entrevista, pois mostra uma pessoa um tanto perdida no que fala, com um discurso vazio e fraco até para se defender.

Patrícia Amorim dá armas aos críticos e usa de argumentos primários para quem está tentando se reeleger. Um grande mais do mesmo, que serviu em 2009, mas não apresenta nenhuma novidade para 2012. E, pior, mostra que certos vícios nunca se perderam.

Fiz uma análise da entrevista, com o meu “achismo” após as respostas, por isso ficou grande. Mas quem já leu a matéria no UOL, pode pular direto pras minhas linhas. Isso foi o que entendi da palavra da presidenta.

Update: Vale uma menção. Ela não foi ao tal debate, mas no dia seguinte aparece uma entrevista só pra chamar de sua. Coincidência?

Patricia revela remédio para dormir após saída de Luxa e conselhos com Laor para comandar Fla
Pedro Ivo Almeida

UOL Esporte: A senhora já foi derrotada na eleição para a câmara de vereadores no Rio e pode perder a eleição para a presidência do Flamengo. Caso isso ocorra, o que faria a partir do dia 1º de janeiro de 2013? Tem medo de uma nova derrota?
Patricia Amorim: Nenhum. Se isso acontecer, vou ser a mãe que não consegui ser nos últimos anos. Vou às reuniões da escola, aos jogos do Victor (filho mais velho que joga basquete pelo Flamengo). Tenho muita coisa para fazer que eu nunca consegui. Passei de atleta para a política do clube, depois para a câmara e nunca consegui parar e viver fora disso. Não sentirei nenhum vazio, até porque terei muita coisa para fazer em casa, com a família. E com o clube também, mas com mais prazer. Vou aos jogos de futebol fora do Rio, aos torneios de natação pelo Brasil. Além disso, vou estudar mais, ler bastante e ver meus filhos crescerem.

Ela dizia viver o Flamengo e que há muito não tinha esses prazeres. No seu primeiro ano, dizia adorar isso e que fazia questão de viver o Flamengo 24/7. Mas tinha a opinião pública ao seu lado, então era bonito. 

UOL: E com tanto desgaste no clube e prazeres fora dele, como a família, por que você ainda quer tanto continuar no comando do Flamengo?
PA: Porque preciso fechar um ciclo. Tudo tem começo, meio e fim, e eu ainda estou no meio. E seria justo que eu concluísse coisas que comecei. O CT, por exemplo, e o Morro da Viúva mostram bem isso. Ainda estamos no meio das obras do Ninho e resolvendo situações sobre o prédio que vai virar um hotel. Para o ano que vem, vamos receber cerca de R$ 14 milhões para terminar o centro de treinamento e fazer o da base. Quero fazer isso e dar de presente ao clube. Aqui na Gávea, reformei quase a sede inteira, mas ainda falta uma piscina nova, que é o meu maior sonho. E, claro, conseguir os resultados no futebol. Confesso que não foram bons nestes três anos. Quero sair do clube com uns títulos melhores nos próximos três anos.

Reconhece, pelo menos, que os resultados em campo foram toscos e que trabalhou no primeiro mandato para uma restauração. Eu sempre achei que o presidente do clube deveria pensar nisso, mas sem negligenciar o futebol, que foi o que ela fez. Patrícia se focou apenas no lado social e empurrou o futebol para terceiros,mas sem ficar em cima ou agir como presidente. Quando a bomba explodia (e não foram poucas), sempre se omitia. 

UOL: A senhora reconhece, então, que a questão do futebol foi uma das falhas da sua gestão? E justamente onde a torcida mais cobra…
PA: Sei que preciso dar uma resposta no futebol, ganhar um título de expressão, o que não ocorreu nestes três anos. Mas as pessoas também falam besteiras muitas vezes. Até parece que o Flamengo ganhava título todo ano antes da minha entrada. Ganhou em 2009 após 17 anos. Fiz muita coisa. Valorizei a base, assinei contrato com os jovens, que antes pertenciam a empresários, e o clube passou a ter receita com seus próprios jogadores. Em 2012, sei que erramos, principalmente naquele início. E por isso as críticas. Mas é injusto não lembrar dos outros anos. E sobre a cobrança da torcida, é natural. Em 2011, gritavam meu nome nas arquibancadas. Um ano depois, o resultado não vem e eu só tomo pancada. Assim é a lógica do futebol.

Diz que valorizou a base, mas na verdade ganhou a Copinha em 2010 por acaso, quando ninguém apostava na equipe. Tanto que a “base valorizada” caiu cedo na edição do ano seguinte. A base valorizada foi esquecida pelo Joel Santana, técnico que ela pessoalmente foi buscar. Que receita o clube teve com seus jogadores? A que empresário pertence a maioria do time?

Mas sejamos justos, o título de 2009 também veio por acaso no meio de uma bagunça generalizada provocada pela gestão Delair e o motim capitaneado pelo Kléber Leite. 

UOL: Mas você pegou um time campeão brasileiro (Patricia foi eleita um dia após o título brasileiro de 2009) e termina a gestão brigando contra o rebaixamento. Ainda acha o trabalho bom?
PA: Claro. Peguei um time campeão, mas que nenhum jogador pertencia ao clube. Aquilo era uma coisa fora da realidade. Tivemos que reconstruir tudo. Eu já vi presidente aqui que não ganhou nada. Nós ganhamos estadual, fomos à Libertadores, ganhamos Copa São Paulo, revelamos atletas, temos os direitos sobre eles. O trabalho foi muito bom nestes três anos, mas querem avaliar só a falta de resultados em 2012. Tudo bem, erramos, mas será que foi só isso? Caramba! Paguei em dia, trouxe os melhores, mas não posso fazer nada se a bola bate na trave. Foram injustos na avaliação. As pessoas não me respeitaram, principalmente os jornalistas.

Se teve alguém que pegou leve com ela até onde pôde, esse alguém foi a imprensa. Mas chegou em 2012 e não deu mais. Foi uma sequência de erros inacreditável. A incapacidade da presidenta de assumir que nenhum projeto dela pro futebol deu certo é incrível. Zico, Luxa, R10, em tudo que ela meteu a mão deu “ruim”.

 

Tem um detalhe importante nisso aí. Ela fala da imprensa, mas não menciona que as torcidas organizadas não levantaram a voz contra sua gestão. Por muito menos, o clube já foi invadido, jogador apanhou em aeroporto e bomba explodiu em treino. Hoje vivemos tempos em que faixas contrárias são removidas dos estádios e tem até torcedor fazendo campanha aberta para cargos políticos. 

O título de 2009 veio por acaso, com um time de aluguel. Mas esse time ela não manteve nem melhorou para 2010. Pelo contrário, desfez. E o time seguinte, que teria sua cara e assinatura, quase foi rebaixado. Ela não deu sequência a nada que funcionou em  2009. Não reconstruiu nada. Demoliu e tentou refazer, mas tudo ruiu em questão de tempo. Não deixou absolutamente nada no futebol. Nenhum legado. A garotada está perdida com medalhões estacionados no tempo. E até presidente que “não ganhou nada” levantou um estadual, pelo menos. 

UOL: E por que você não se posicionou junto a imprensa para se defender disso? Por que passou tanto tempo calada, sem dar entrevistas?
PA: Porque as pessoas formam opinião antes e depois não querem me ouvir. São pessoas alienadas. Peço que os mesmos que me criticam venham conhecer o clube, ver o que mudou além do futebol. Mas isso não interessa. Talvez venda mais falar mal. E eles preferem isso. E eu não vou ficar respondendo e me desgastando mais. O time não vai bem e colocam a culpa em mim. Como assim?

Se fazer de vítima ou falar “é porque eu sou mulher” também não é uma forma boa de defesa. Muito menos jogar nas costas dos outros a responsabilidade que deveria ser dela. A cobertura do Flamengo é aberta (até demais) e só um repórter muito ruim para não saber como funciona ali dentro e o que mudou. Descontando o “Adrianismo” exagerado, dificilmente vemos mentiras ou informações incompletas na cobertura rubro-negra. Até porque, X-9 é o que não falta para contar tudo. 

UOL: Com tantas coisas boas, então, por que entraram com um pedido de impeachment e alegaram que sua gestão era temerária?
PA: Por nada. Tentaram fazer algo para desestabilizar. Só fizeram isso para desestruturar. É uma covardia, uma barbaridade. As pessoas têm que discutir o clube, a saúde financeira dele e a satisfação dos seus associados. Eu não me sirvo do clube e vivo com meus rendimentos. Tenho um apartamento, dois carros e nada mais. Minha mãe nem apartamento próprio tem. Como querem falar de enriquecimento, de gestão temerária. Nunca tive meu nome envolvido com roubo, desvio, nada. Pago dívidas hoje de gestões passadas. Tenho que pagar problemas com negociações de Souza, Renato Augusto, primeira venda do Ibson. E querem me criticar? Fiz tudo muito bem. Até no futebol eu fui bem em alguns aspectos. O Flamengo hoje é um clube com credibilidade, estrutura e reconhecido no meio do futebol. Todos falam isso. Tenho carinho de todos os outros presidentes do Rio e até mesmo de São Paulo. O Luís Alvaro (presidente do Santos), por exemplo, falo constantemente. Me aconselho muito com ele. Falo sempre com ele. Ele tem cinco filhas, e sempre me trata como uma delas. Nas negociações, eu sempre converso com ele, me consulto.

A credibilidade rubro-negra é tanta que o Juan, seu símbolo de campanha, preferiu o Internacional.

A credibilidade do Flamengo atraiu jogadores como Íbson, que não queria mais nada no Santos e preferiu ganhar menos e “ser feliz na favela onde nasceu”. 

UOL: Como é esta relação com o Luis Alvaro e quais são os principais conselhos que você recebe dele?
PA: O Santos tem alguns mecanismos que o Flamengo deveria copiar, como o conselho consultivo. As decisões lá são colegiadas. Isto é fundamental. O clube reúne os melhores de cada área e decide o que é melhor. Aqui é tudo ao contrário. O Flamengo se mata nos bastidores para resolver alguma coisa. E o estatuto contribui para isso. É velho, engessado e eu pretendo mudar isso. Quero um novo formato, com conselho consultivo, pessoas que blindem o clube e te ajudem, sem interesses políticos. É isso que quero para a próxima gestão. Em momentos críticos, esta divisão de pensamentos ajuda.

MENTIRA! Não quer e não vai mudar o estatuto. Em três anos não fez absolutamente NADA para isso, mas agora usa esse discurso comum para todos os candidatos.  

UOL: Você hoje tem ideias para o próximo mandato e está em campanha. Mas chegou a pensar se valeria se candidatar novamente. Por que quase desistiu?
PA: O desgaste é muito grande. Estou acostumada com essa pressão, mas é muito difícil suportá-la, cumprir uma rotina alucinante e ver que ninguém respeita isso. A opinião pública não quer ver essas coisas e me ataca de graça. A realidade não é o ataque que venho sofrendo. O clube está muito bem. As pessoas ficam sentadas em computador, disparando campanhas em redes sociais, mas não sabem o que se passa. E isso me cansou.

Então mostre pro mundo o que se passa. Não deixe nada no escuro. Cadê as contas aprovadas? Por que nenhum patrocínio master para a camisa? Por que nenhum projeto do futebol deu certo? Por que o contrato do Ronaldinho era tão lesivo ao Flamengo? Quem aprovou aquilo? Os advogados consultados também atacam sem saber?

UOL: E com tanto desgaste, como relaxar? O que fazer fora do clube para manter a cabeça tranquila e ter uma vida saudável?
PA: Olha… (Patricia para por alguns segundos) Nem sempre eu consigo. É muito difícil. Tem horas que não aguento. São traições, facadas. E ainda tem o problema de chegar em casa e cuidar de quatro filhos e marido. Já tive várias fases e tentativas para superar isso, mas sempre com complicações. Já tentei ler para acalmar, escrever, tomar remédios. Nunca tinha tomado nem refrigerante, mas teve época que bebi algumas coisas.

O estresse vem com o cargo. 

UOL: E quando foi essa fase dos remédios?
PA: O início deste ano foi complicado, o episódio Ronaldinho me chateou, mas o que tirou mesmo o meu sono e me fez tomar remédio foi a saída do Vanderlei. Mandei ele embora chorando. Fiquei muito preocupada. Foi uma fase horrível, uma pressão enorme. Quase não dormia, e só conseguia com remédio. Ele matava os problemas no peito, resolvia e as coisas não chegavam em mim. E eu senti muito essa saída. Mesmo com a chegada do Joel e a contratação do Zinho, eu tomei muita pancada. O Zinho tinha muita boa vontade, mas era novo no cargo, não tinha a experiência do Luxemburgo e deixava algumas coisas chegarem a mim. Eu passei a sentir uma pressão externa muito grande. Com o Vanderlei, eu não tinha isso. Foi o pior período.

Na verdade, você demitiu o Luxa pelo jornal. Ele foi o marido traído. O caso do Ronaldinho não foi falta de aviso, mas você também não soube segurar ou se impor. Pelo contrário, fez um contrato lesivo e absurdo para o Flamengo. Mas o que não faltou foram avisos do comportamento do jogador, todos ignorados e escondidos pela direção. Pela sua direção. 

UOL: E agora, está mais tranquila?
PA: Não. É tudo muito conturbado. Emagreci muito, tenho medo de fazer exames médicos e descobrir algo nos resultado. O estresse acaba comigo. Até dentro de casa eu sofro pressão. Marido e os quatro filhos só querem falar de Flamengo. É assustadora essa situação. Nem uma volta tranquila no shopping eu consigo mais. Eu não tenho lazer e sinto falta disso. Quando acende a luz vermelha, eu pego minha sobrinha e vou ao cinema. Ela que me ajuda, é meu refúgio. Pego a Gabriela (Amorim, de 20 anos, sobrinha) no domingo, na última sessão, prendo o cabelo, coloco um óculos e vou embora. Eu não consigo nem ir ao salão direito. Queria ir mais vezes. Chego lá e as pessoas só falam de eleição, Flamengo. Por isso pego a Gabi e vou pro cinema. Lá é escuro e ninguém me vê. Tento me divertir um pouco e conversar com ela sobre outros assuntos. E ela que me ajuda em vários outros aspectos, fica com meus filhos, estuda com eles.

UOL: E encerrando esse lado mãe, família, como cuidar do “filho” Adriano?

PA: Nem gosto de falar desse jeito, o chamando de filho, senão vão me chamar de paternalista. Eu apenas faço com ele o que sempre procuro fazer com todos os ídolos que escreveram nossa história: dar apoio. (Patricia para e reflete antes de continuar) Mas está chegando um momento decisivo. Às vezes, me sinto impotente. Queria ajudar mais. São muitos problemas. Precisamos resolver isso. Faço tudo o que posso, mas existe um limite. E quem vai decidir essas coisas (limite) é o Zinho. Ele que está perto e vai dar a palavra final.

Leia-se, se o Zinho quiser mandar embora, ele manda embora. Mas quem trouxe o jogador foi você. Foi sua ideia. Não é simples agora jogar a bomba para os outros? O exemplo no Corinthians não serviu de nada?

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10 comentários em “Análise da entrevista

  1. Obrigado pelos comentários Lucas. Eu bem que tentei ler a entrevista, mas começou a me embrulhar o estomago.
    Ontem tratei como piada, e não é que um dia depois do debate, saiu mesmo uma entrevista da Patricia expondo seu lado da historia pela enesima vez?

  2. Lucas foi bem bonzinho nas ponderações…

    Outra entrevista absurda que mostra que essa senhora está totalmente fora da realidade em que vive, ou então é muito cínica.

  3. segunda parte do debate

    quem achar a primeira posta ae.

    bom, estou gostando cada vez mais do wallin, essa falta de jeito com o discurso politico me agrada muito. Os outros candidatos são mais do mesmo, podres politicos, falsa promessas, discurso e postura que envergonha qualquer rubro-negro e cidadão.

    os tempos são outros, que seja a vez da nova politica, que a vitoria do wallin signifique a verdadeira mudança.

  4. […] segundo assunto é o post sobre a entrevista da Omícia. O Lucas Dantas já falou tudo e mais um pouco no seu post.  Mas gostaria apenas de citar a covardia desta senhora. Ela espera o debate, NÃO APARECE, e no […]

  5. Essa entrevista da PA é nojenta…

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