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Alfarrábios do Melo

 

 001 uidemar

Saudações flamengas a todos.

A janela está aberta e a caneta já está em outras, e mais qualificadas, mãos.

Com isso, de forma tão tradicional como o despejo de panetones, perus e rabanadas nas mesas brasileiras, começa o festival de cavadas, especulações, sondagens e quetais, colocando e tirando jogadores das principais equipes em um ritmo alucinante, por vezes mais frenético do que nossa capacidade de assimilação e análise. Afinal, jornais precisam ser vendidos e pageviews registrados.

Nisso, o Flamengo, natural locomotiva da mídia, torna-se alvo fácil de articulistas e insiders, e verdadeiras seleções ou máquinas são escaladas todo meio-período, somente com negociações aventadas, supostas ou não. E aí lá vai o torcedor imaginar um time com Júlio César, Léo Moura, Alex Silva, Gonzalez e Júnior César; Caceres, Elias, Giuliano e Robinho; Vagner Love e Vargas.

E de preferência apresentando todos de vez. Numa grande festa, com fogos, carro de bombeiro, entrevista coletiva. Se houver algumas lágrimas de brinde pra Globo produzir close, melhor.

Não vou aqui me ater ao estado de terra arrasada com que a nova diretoria já está começando a se deparar, nem mencionar o preocupante atraso de salários, ou mesmo falar das penhoras que ameaçam asfixiar o cotidiano do clube. Meu ponto é outro. E aí, vamos recorrer à nossa história recente.

1995, Romário é apresentado com grande festa e estardalhaço. O mesmo 1995, agora é Edmundo que também tem direito a carro de bombeiro. 2000, o clube torra o dinheiro da ISL com Edilson, Gamarra, Alex e Denilson, entre outros menos cotados (Petkovic veio antes do arreganho das torneiras). 2011, Ronaldinho Gaúcho chega com status de semideus, falando que Flamengo é Flamengo.

Não é difícil constatar que todas as contratações citadas (exceto Gamarra) mostraram-se com o tempo ícones de momentos perdedores e derrotados. Não é irreal depreender que foram engolfados, engolidos pelo amplo estardalhaço e a brutal expectativa criada em seu entorno (os mais antigos hão de se lembrar de outros exemplos, como Sócrates, Luís Pereira, Fumanchu, Darío Pereyra, Borghi, entre outros).

Agora vou citar outros nomes.

Carpegiani (jogador), Raul, Nunes, Uidemar, Wilson Gotardo, Charles Guerreiro, Gaúcho, Leandro Ávila, Fábio Luciano, Ronaldo Angelim, Maldonado, Willians.

São jogadores que, em diferentes momentos, chegaram tocando a campainha, assinando ficha de identificação, ocupando discretamente seu espaço e integrando equipes vencedoras, campeãs, totalmente identificadas com o espírito flamengo. Alguns deles, inclusive, chegaram mesmo desacreditados e cercados de vasta desconfiança.

O Flamengo não funciona com contratações midiáticas, de impacto. Equipe galáctica, “SeleMengo” (houve várias), essas coisas, fazem a alegria da torcida flamenga ANTES das competições e o deleite de adversários e da imprensa DEPOIS do apito final. O rubro-negro tem, por essência, a necessidade de se sentir inferiorizado, reduzido, escarnecido, para desenvolver-se em sua plenitude e colecionar suas taças.

Isso não significa montar equipes medíocres com jogadores duvidosos. Isso quer dizer formar elencos com jogadores talentosos, capazes de florescer em um ambiente de grandeza e pressão, com foco no trabalho DENTRO de campo. Não é fácil, requer estrutura para prospecção e senso de oportunidade. E, às vezes, paciência para a formação de uma base. Voltando aos nomes citados, TODOS eles demonstraram capacidade de trajar o Sagrado Manto, que lhes caiu muito bem.

O elenco atual possui carências, algumas delas profundas. Cabe ao Departamento de Futebol identificar essas lacunas e atuar para sua eliminação, sem se preocupar com eventuais impactos midiáticos. O torcedor precisa de uma equipe que funcione, que vença jogos, que se mostre competitiva e aguerrida. Não de estrelas contratadas a soldo milionário e não honrado que ostentem camisas na rua e caminhem em campo.

Sim, há o marketing. O clube precisa amplificar sua capacidade de gerar receitas, e um ídolo é importante nesse processo. E o Flamengo parece estar prestes a disparar uma série de iniciativas nesse sentido. Talvez um grande jogador facilitasse as coisas.

Pois é só dar um pouco de tempo. Em um time vitorioso, os ídolos rapidamente surgirão. Porque o Flamengo não importa estrela.

O Flamengo mesmo as cria.

* * *

Aproveito a oportunidade para desejar um Feliz 2013 a todos nós, e que esse ano assinale o marco inicial da retomada de um caminho de glórias e vitórias em direção ao topo, que é o estado e a posição natural do nosso Flamengo.

 

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5 comentários em “Alfarrábios do Melo

  1. Vão penhorar todas receitas do Flamengo esse ano ? Quando isso vai acabar ?

  2. A diretoria está tentando uma solução, Eduardo. A postura da diretoria até agora é corretíssima: assumiu a dívida com o grupo, explicou a situação da penhora e comentou dos contratos de patrocínio e de material esportivo que o clube tem a receber. Os jogadores não podem reclamar de comando e transparência. Gostei de terem imposto também um ano de contrato e redução salarial para Léo e Renato. Sei que muita gente aqui não gosta deles, mas acho que pra esse ainda ainda serão úteis. A única tristeza é o Cleber Santana não ter vazado. Espero que não seja ele o nosso camisa 10. Eu daria chance a Adryan e Matheus no carioca.

  3. Melo, tentarei fugir do lugar-comum: delícia de post! Supimpa! SRN

  4. Pela 3493059309503ª vez assino embaixo Melo.

  5. Na mosca, Melo.

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