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Alfarrábios do Melo

Saudações flamengas a todos,

Sim, vencemos. Sim, goleamos. Sim, passamos por cima de um rival. Sim, o time está evoluindo. Não, não temos um time pronto para grandes conquistas. Ainda.

Mais importante que a vitória de ontem, que pelo rigor dos incautos da objetividade (amenizando Nelson Rodrigues) foi apenas um ensaio preliminar, é ver, é constatar que temos um Flamengo com postura vencedora, um Flamengo aguerrido, um Flamengo determinado, um Flamengo reflexo de poucos DIAS de uma administração onde as coisas funcionam, onde jogador joga, treinador treina e dirigente dirige. Um Flamengo diametralmente oposto daquela massa disforme e pardacenta que perambulava indolente e moribunda nos gramados na já distante Era Medieval das Trevas Patricianas.

E há a base de jogadores. Que, com calma e sem açodamento, já começa a render seus frutos, já começa a mostrar que o caminho não pode ser outro. Há o momento de prender, de soltar aos poucos, há a hora de fazer o menino sentir o clima e a dinâmica de um jogo de futebol profissional, minimizando-lhe a responsabilidade.

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E há a hora de soltar.

1994, o Flamengo vive uma aguda crise e atravessa um irreversível processo de desmonte, a soldo de duas moedas, do time pentacampeão dois anos antes. Sem crédito e dinheiro, recorre a jogadores veteranos, decadentes ou com lesões recorrentes. Nesse contexto, desembarca na Gávea o quarteto Valdeir (The Flash), Boiadeiro, Carlos Alberto Dias e Charles (o baiano Anjo 45).

O time, dirigido pelo eterno Carlinhos, demora a se firmar, na verdade não emplaca. Vence seus jogos com grande dificuldade, aos trambolhões. Mas um fenômeno chama a atenção do torcedor e da crônica. Invariavelmente a equipe melhora na segunda etapa, quando um garoto loirinho entra em campo, substituindo um dos medalhões. O menino torna o time mais leve, mais dinâmico, mais insinuante, conferindo uma agressividade que não existe na lenta e previsível formação titular.

Assim, o Flamengo atravessa toda a primeira fase, não consegue vencer nenhum clássico, mas chega à Fase Final amparado nos pontos conquistados em duras vitórias contra os times menores. Normalmente no final dos jogos, usualmente após a entrada do galeguinho.

Até que o loirinho ganha sua chance. E logo num Fla-Flu.

E o sujeito faz o diabo.

Enlouquece a defesa tricolor com suas arrancadas e dribles, rabisca a zaga adversária, tida como sólida, cava faltas e cartões, faz o desacreditado Flamengo emergir como um grande esquadrão, incendeia torcida e time, e o rubro-negro domina amplamente a partida. Numa cobrança de escanteio, atrapalha o zagueiro Márcio Costa, que faz contra.

Radialistas, torcedores e mesmo jogadores encantam-se com a magistral exibição do loiro magrinho, que como um azougue vai espalhando sua mensagem de terror no meio da defesa fluminense. O jogo segue, o Flamengo amplia, o tricolor, cheio de brios, diminui.

Até que, quando o Fluminense mais pressionava em busca do empate, uma bola é lançada pro loirinho, que corre e corre, passa por um zagueiro, corre mais, e na saída do goleiro rola macia no canto, decretando inapeláveis e definitivos 3-1.

Era o jogo de estreia do garoto como titular.

E nunca mais Sávio saiu do time.

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