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Zico 60 anos – Por Fabiano Marinho

“Zico, ídolo no futebol e na vida”

Sempre li que as pessoas nunca são maiores que as instituições. As pessoas passam e as instituições ficam. Verdade. As instituições podem se eternizar, e as pessoas não, pois envelhecem e morrem.

No entanto, as instituições são feitas e formadas, essencialmente, por pessoas. E é o que essas pessoas entregam, quando passam por lá, o que realmente importa e o que realmente faz uma instituição ser o que é, crescer ou cair no seu mercado.

Trabalhei e convivi de perto com personalidades que marcaram e ainda marcam a história do país. Minha vida curiosamente me levou a conhecer e conviver com gente famosa. Artistas, jornalistas, escritores, senadores, deputados, desembargadores, juízes, cantores, novelistas, radialistas, repórteres, colunistas, e muita gente do meio do esporte. Dirigentes, técnicos e jogadores. E o Galo foi o maior jogador e um dos maiores seres humanos que conheci.

Nasci rubro-negro. Meu pai, um grande rubro-negro, não me deixaria fora dessa alegria. Muito cedo me levou ao Maracanã. Os anos 60 não eram exatamente uma época em que o Flamengo tinha um timaço, mas a nossa incomparável torcida fazia toda a diferença. A paixão se instalou em mim.

O que viria pouco depois dos anos 60 na minha vida de torcedor do Flamengo era muito mais do que eu podia esperar. Vi, de perto, o Flamengo ser campeão de tudo, seis vezes Campeão Brasileiro (estive presente em todas as decisões de campeonato Brasileiro) e até Campeão do Mundo. Vi o Flamengo inverter todas as estatísticas desfavoráveis, e vi nascer o maior ídolo de um clube brasileiro, o meu, o nosso ídolo, Zico, o Galinho de Quintino!!

E foi ele, Zico, que começou essa grande fase do Flamengo. Fase que os nossos inimigos tiravam a calça pela cabeça de tanta raiva. Fase que ninguém me aturava! Sou testemunha viva de que o Galo foi o principal responsável por tudo de bom que aconteceu entre 78 e 87. E o nosso ídolo não era apenas o melhor jogador do país. Era, também, um homem sério que cumpria com todos os seus compromissos de forma impecável, que trabalhava mais que todos para desempenhar bem o seu papel dentro de campo. Quantas vezes eu o acompanhei após os treinos em incansáveis sessões de cobrança de faltas! Não foi a toa o melhor cobrador de faltas de todos que já se viu. Falta na entrada da área? A gente comemorava o gol. O Galo era o capitão do Flamengo, o líder maior dentro e fora de campo. A era vencedora começava fora de campo. Zico dava o exemplo, Zico era o espelho do time. Eram times de muita técnica, mas de muita garra, também. Aqueles timaços não venceram por acaso, foram forjados na imagem do seu líder máximo.

Em 1987, chegou ao Flamengo um jovem promissor chamado Leonardo. Frequentava o mesmo clube que eu em Niterói, o Rio Cricket, clube inglês onde a bola rolou pela primeira vez no Estado do Rio de Janeiro. Leonardo começou no time principal aos 17 anos e sempre voltava pra casa após os jogos no meu carro. Não era raro eu levar ele em programas de futebol na TV.

Eu que já conhecia o Zico da Gávea porque ia sempre ver os treinos do Flamengo, junto com meus colegas de O Globo, nesse período o conheci melhor ainda. Um grande cara. Ele ajudou muito o Léo. Principalmente dentro de campo e no plano emocional. Imagina o que era para o Léo, jogar naquele timaço com apenas 17 anos? E jogar ao lado do seu maior ídolo! O Zico fez o Léo, ensinou tudo que ele sabe.

Dessa época eu tenho, dentre tantas, três grandes lembranças. A primeira quando na saída de um jogo importante do Brasileiro de 1987, o Zico parou o carro dele (dentro do pátio interno do Maracanã, na saída dos vestiário) para me oferecer carona. Agradeci e disse que esperava o Léo sair para levá-lo para um programa na Manchete (Paulo Stein). Pode parecer uma coisa boba, mas pensa aí você o que é o cara parar o carro e oferecer carona para um Zé Ninguém como eu? A outra, quando ele marcou comigo de levar o time Nova Geração lá no Rio Cricket. Me passou o telefone da casa dele no Maracanã. Liguei para combinar e nem acreditei quando ouvi do outro lado: “fala figura!”. Passamos um dia maravilhoso com diversão para a garotada (os filhos dele nem queriam ir embora) e nós rimos muito com algumas histórias do futebol. A última, na comemoração do Tetracampeonato Brasileiro, aquela comemoração onde somente as famílias dos jogadores são permitidas entrar, o Léo me levou junto com a mãe e o irmão, o Galo chegou, veio até onde estávamos e me deu um abraço que eu jamais esqueci.

É óbvio que eu me lembro do meu ídolo Zico dentro de campo, em tantas e tantas glórias conquistadas. Mas é das lembranças do meu ídolo fora de campo que eu tenho maior gosto. Ídolo assim nunca houve. Ídolo e Rei.

Rei eterno do Gigante Rubro-Negro, e que no final das contas é uma pessoa comum.

Grande abraço, meu querido Galo!!

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Sobre flamengonet

jornalista

Um comentário em “Zico 60 anos – Por Fabiano Marinho

  1. BLOG DO JUCA : Devia identificar o TIME de quem assina esta PETIÇÃO. Para os flamenguistas do Ricardo Teixeira e são paulinos do Marin,isto é uma ENGANAÇÃO.
    Se vão construir um estádio para um time de futebol,por que este blogueiro e o Herzog não fazem uma petição para perdoar a dívida dos demais clubes SEM ESTÁDIO ? Caso contrário não caio mais nestas ciladas e armadilhas de petição,ética ou moralização. O TIME DE QUEM ASSINA A PETIÇÃO,DEVIA APARECER

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