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Meia-entrada, discussão importante

* Por Juan Saavedra

Na última semana, os meios esportivos passaram ao largo de uma discussão relevante: a proposta de lei que regulamenta a meia-entrada em eventos culturais e esportivos.

Uma das principais mudanças da proposta aprovada na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, na quarta-feira (24/04), que ainda precisa seguir para o Senado, é a criação de um limite para o número de ingressos vendidos pela metade do preço.

De acordo com o projeto, apenas 40% dos ingressos poderão ser vendidos como meia-entrada. Dentro dessa cota, estarão estudantes, jovens de baixa renda, de 15 a 29 anos, pessoas com 60 anos ou mais e pessoas com deficiência e seus acompanhantes.  Para ter direito à meia-entrada, o estudante vai precisar de uma carteirinha padronizada, expedida por entidades de representação, como a UNE, e emitida pela Casa da Moeda.

A questão aparentemente tem mobilizado muito mais a atenção de produtores culturais, em especial do meio teatral, do que a de dirigentes esportivos.

Mas a possível mudança na legislação terá consequências para clubes e torcedores.

A meia-entrada, hoje, tal como existe, não só no futebol, é uma aberração. Permite um subsídio indiscriminado a todos que tenham carteirinha – inclusive abastados alunos de caríssimos MBAs, que, em tese, não precisam desse tipo de benefício. Nem falemos das falsificações de carteirinhas ou da falta de fiscalização, que permite que muitos cambistas vendam meia-entrada pelo preço cheio a poucos metros da bilheteria.  Ambos são meios de evasão de renda.

Além do mais, o sistema prejudica quem não está estudando ou quem não apelou para as falsificações – são estes que pagam caro pelos ingressos e, de certo modo, financiam quem tem carteirinha. Muitas vezes, vale reiterar, trata-se de gente que ganha menos subsidiando quem tem média de renda muito maior.

A fórmula vigente acabou criando preços de inteira absolutamente irreais, modo encontrado pelos promotores de eventos para compensar o volume excessivo de meias.  O festival Lollapalloza é um exemplo – praticou ingressos a R$ 330 (R$ 165). Como mais de 70% do publico do evento, segundo a organização, foi de gente com carteirinha de estudante, é legítimo supor que os promotores calcularam o preço de fato a partir do valor da meia.

Isso tem que mudar. É ruim para todos.

Ainda não se sabe se a cota de 40% vai resultar em redução do preço de ingressos. A proposta aprovada tampouco resolve algumas distorções.

Mas a mudança de lei pode ajudar a melhorar a política de ingressos, salvaguardando o benefício para estudantes de fato e, quem sabe, proporcionando preços mais coerentes com a realidade. Tudo, claro, com fiscalização.

Num momento em que a diretoria do Flamengo esforça-se por criar meios de aumentar receitas, seria interessante que o clube participasse mais do debate e assumisse uma posição de liderança no âmbito esportivo – inclusive em Brasília.

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6 comentários em “Meia-entrada, discussão importante

  1. Muito bem observado pelo Juan.

    Em uma época onde os recursos para geração de receitas são o alvo dos clubes de ponta, o futebol precisa participar desta discussão. Entretanto, e apesar da necessidade, acho que continuarão passivamente a acompanhar o problema de longe e lidar com suas consequências, ao invés de buscar soluções para minimizar o referido problema.

  2. Todas as pessoas que moram aqui no SUL do Brasil, são testemunhas que eu sou um humilde torcedor do FLAMENGO.Sou pobre,doente e trabalhador.Estou sofrendo preconceito dos seguintes blogs flamenguistas : Flamengorj,Flamengonet e Ninho da Nação,etc… Se vocês tem vergonha da gente,abra o jogo,para que eu voluntariamente PARE de ajudar e colaborar com o blog de vocês.Eu ainda pretendo distribuir bolas de futebol,volei e basquete nas comunidades pobres do Rio de Janeiro.Caso contrário vou deixar de torcer para qualquer time do mundo e ajudar as comunidades pobres aqui de SANTA CATARINA mesmo. Estou voluntariamente divulgando o FLAMENGO e a Cidade Maravilhosa,e ao invés de gratidão e respeito,sofro preconceitos e censura de blogs flamenguistas.Não arrumem pretextos prá seus erros e preconceitos. Estava muito feliz em ajudar e colaborar com o blog de vocês. Se vocês querem tirar a minha FELICIDADE,então terei que mudar todo o conteúdo do meu site e do meu Almanaque do Roberto.Aí vocês nunca mais serão O MAIS QUERIDO DO BRASIL.Seus bandos de ingratos.Tanto tempo colaborando e ajudando,e vocês me censurando.Se eu nunca usei palavrão nos blogs rubro-negros,vocês não podem ficar colocando cabresto à base de chicotes na gente.Se eu parar de ser RUBRO-NEGRO,quem vai sair perdendo vai ser o FLAMENGO e o Rio de Janeiro. O Flamengo perdendo mais um humilde torcedor,a cidade do RIO também deixa de ser o destino mais procurado do Brasil. COMENTÁRIO EDITADO!!! OBS : salvei este conteúdo no meu site.

    • Não é a primeira vez que pedimos pra que o comentário seja sobre o post. Você insistiu, e continua insistindo.
      Paciência, sua sua consciência diz que você está certo em não comentar, e sim em fazer divulgações, paciência. O blog é de opinião, não de notícias.
      Mas, se você quer pautar, ok, fique à vontade.

    • Basta que você faça comentários a respeito do que é postado. Ser pobre, doente e trabalhador não é desculpa para ser CHATO! Pare de postar esse “almanaque” aqui….Use o SEU site para fazer isso. Quem quiser, vai entrar n seu site. Se você acha que isso é preconceito, sinto muito!

  3. Perfeito, Juan.

    Essa questão da composição de preços é fato, os preços são trabalhados a partir da meia-entrada mesmo, os ingressos pagos no “preço cheio” acabam se tornando uma espécie de bonificação. Tipo de coisa que me afastou de cinemas e teatros, salvo quando posso utilizar uma dessas promoções de cartões de crédito, que também jogam o ingresso para metade do valor.

    Essa lei dos 40%, a entrar em vigor, melhora mas não resolve, porque algumas das questões são exatamente isso de colocar “tudo no mesmo balaio” e as falsificações.

    Diante do novo sócio-torcedor e de um iminente acerto para exploração do Maracanã, é importante mesmo o Flamengo se posicionar acerca do assunto. Em bloco com outros atores, para não pregar no deserto como em outras épocas.

  4. Importantíssimo! E pra mim o foco é não apenas nos 40% (que podem servir de muletar pra produtores dizerem que já esgotaram mesmo antes que esgotem), mas sim no:

    “Para ter direito à meia-entrada, o estudante vai precisar de uma carteirinha padronizada, expedida por entidades de representação, como a UNE, e emitida pela Casa da Moeda.”

    Se conseguirem parar com as carteiras para falsos estudantes (apesar da UNE não ser necessariamente a instituicao mais confiavel) já vai ajudar demais a receita de todos (cultura e esporte).

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