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Um novo Maracanã para um novo Flamengo

* Por Juan Saavedra

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Novo Maracanã. Foto: Blog do Planalto

Com a inauguração parcial do novo Maracanã, no evento-teste de sábado (27/04), ergueu-se um interminável muro de lamentações.

Muita gente boa – jornalistas, cronistas e amigos – subiu a voz para manifestar a dor com o fim “daqueeeele” Maraca, o estádio mitológico que carregamos em nossa memória afetiva. O tom variou entre o nostálgico, fúnebre ou o revoltado. Em parte, e com razão, pelo polpudo emprego de recursos públicos na obra, beirando o bilhão de reais.

Concordo que, de fato, acabou o Maracanã as we used to know. Nele vivemos algumas das melhores lembranças de nossas vidas. Vimos Zico, acompanhamos cinco de nossos títulos brasileiros, protagonizamos espetáculos inesquecíveis.

Mas o planeta gira, os anos passam e a vida anda para frente.

O Maracanã já passara nas décadas passadas por reformas de menor (pinturas) ou maior grau, como a que deu fim à geral e dividiu o setor de arquibancada em duas áreas afastadas por um setor de cadeira.

Mas é forçoso reconhecer que somente com uma intervenção mais profunda – já que a ideia era manter a casca – seria possível torná-lo apto para receber uma final de Copa do Mundo.

Não estive entre os convidados para a pelada que abriu o estádio, mas reportagens e imagens divulgadas  mostram que a transformação muda radicalmente – e para melhor – o nível de conforto do público. E  a localização privilegiada não mudou.

>> Veja mais fotos do novo Maracanã no Blog do Planalto

E isso é importante num momento em que o modelo de negócio “estádio” sofre concorrência direta de outros meios de entretenimento e, principalmente, do pay per view em alta definição. Não são poucos os que preferem ficar em casa para assistir aos jogos em TVs gigantescas, com transmissão em HD. Sai mais barato, seguro e tem a conveniência de poder beber uma cervejinha, passando longe de transporte público ou dos perrengues para estacionar.

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Novos banheiros do Maracanã. Foto: Blog do Planalto

Ou seja, nesse ambiente competitivo, os estádios têm que oferecer serviços melhores para viabilizar-se.

Ninguém quer gastar uma grana para ser mal tratado, passar aperto, levar copo de mijo nas costas, machucar-se por conta de infelizes que apelam para a violência, ser assaltado em arrastões, estar em lugares com pontos cegos (como ainda acontecia nas cadeiras azuis), entrar em banheiros fedidos, acotovelar-se para comprar uma água, não encontrar vaga para o carro, ficar exposto às intempéries climáticas e expor-se a tantos outros absurdos, inconvenientes e desconfortos, fatores que devem ser minimizados com o novo Maracanã.

O que torna a experiência memorável, naturalmente, é ver um grande jogo, uma bela vitória, mas o “entorno” passou a ser relevante na decisão de sair ou não de casa. Foi o fator que afastou famílias e gerações dos estádios.

Nesse contexto, um novo Maracanã, gerido pela iniciativa privada, desde que fiscalizada pelo poder público, pode aumentar o prazer de ir à nova arena, minimizando os perrengues.

O preço dos ingressos tende a aumentar, é bem verdade, mas o nível de renda no país também subiu – e as pessoas cada vez mais são propensas a meter a mão no bolso quando o serviço é bom e eficiente.

A alma do Maracanã em todas essas décadas foi personificada pelos clubes (cariocas), seus craques e torcedores – e, em particular, pelo Flamengo. Eles [nós] que construíram essa mística e renovaram – mesmo depois das mudanças – a vontade de novas gerações frequentarem aquele palco. Essa responsabilidade de fazer do novo Maraca um lugar especial continua nos pés dos jogadores e na festa dos torcedores.

O Flamengo, com a nova diretoria, parece caminhar a passos largos para uma nova era, mais responsável e profissional. Para consolidar esse momento, é impensável outro lugar que não o Mário Filho. É um estádio à altura da grandeza do clube e adequado para os necessários planos de geração de receita.

Fica a torcida por um bom acordo com o novo concessionário. O resto, a torcida e os jogadores fazem.

***

Vi muita decepção nas redes sociais com as contratações anunciadas no dia 1º de maio, a dos dois jogadores do XV de Piracicaba. Entendo que parte da frustração está relacionada à expectativa exagerada pela chegada do novo patrocinador, a Adidas, e o esperado anúncio de um grande nome. O que ainda não se concretizou nem está descartado.

Na minha visão, observar o campeonato paulista é obrigatório para quem pretende formar times competitivos. E o Flamengo tem sim que apostar em nomes desconhecidos – e mais baratos – para formar elencos. Muitas vezes surgem dessa fonte, já bem aproveitada pelos grandes de São Paulo e também pelos paranaenses, jogadores importantes e, melhor, com custo-benefício adequado à realidade financeira diagnosticada no último balanço do clube.

Sem entrar no mérito da qualidade dos atletas contratados, a medida em si é correta. Há outras chances de contratações, inclusive a janela europeia. Mas os torcedores não devem iludir-se. 2013 não é ano de timaço.

***

Recebi uma carta aberta de Tullio Formicola Filho, executivo responsável, junto com Ricardo Hinrichsen (então diretor-executivo do Flamengo), pelo patrocínio da Olympikus ao Flamengo no período de 01/07/2009 a 30/04/2013.

Vivi parte dessa história de perto, eu que trabalhei no Marketing do clube entre fevereiro de 2009 e fevereiro de 2010.

A Olympikus realmente investiu em relacionamento com o torcedor e buscou os blogs e as comunidades rubro-negras nas mídias sociais para fortalecer essa aproximação, valorizando a marca do clube com muitas ativações.

Que a Adidas mantenha esse canal de diálogo. As expectativas são boas.

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4 comentários em “Um novo Maracanã para um novo Flamengo

  1. Concordo plenamente. Ótimo post.
    Eu adorava o Antigo Maracanã, mas eu ia pra lá pelo Flamengo e não por um bando de concreto ou uma rede assim assado. O que fazia ele ser especial era o Flamengo e a torcida dando show na arquibancada. E eles continuarão lá e continuará acontecendo momentos inesquecíveis, felizes e tristes, e todo o resto.
    A única coisa que espero é que eles não afastem o povão em nome desse “progresso”. Os clubes da Alemanha mostram que isso é possível. Que reservem algum espaço para torcedores com menos grana continuem acompanhando o Flamengo.
    SRN

  2. Questão do Maracanã pra mim é que se inicia uma nova etapa. Como um dia o Flamengo usou as Laranjeiras, o campo dos Guinle, a Gávea, o antigo Maracanã, agora o clube dispõe de um novo e modernizado estádio. Mística, história, são importantes, mas não podem pontuar ou pautar determinadas ações. Ademais, o Flamengo estará pronto para criar e fazer sua história no novo estádio.

    Claro, desde que seu uso seja compensador ao clube. Do contrário, outras opções precisam ser pensadas. Flamengo não pode e não deve mais ser refém de outros interesses.

  3. Cara, não entendo como o “velho” Maracanã pode ser tão amado, se aparentemente fazia parte da diversão do seu público depredá-lo, pichá-lo, deixá-lo fétido de urina, etc. Quantas e quantas vezes presenciei cenas de depredação gratuita nas antigas cadeiras azuis e dentro dos banheiros…

    Sinceramente, não consigo enxergar o público do “velho” Maracanã frequentando esse “novo” Maracanã. Ou se muda totalmente esse ´”público” ou o antigo público terá que se submeter a um choque de educação e civilidade, caso contrário esse estádio não chegará inteiro à Copa do Mundo. Infelizmente essa é a realidade.

    E não acredito que a simples majoração do preço dos ingressos seja suficiente para mudar a cultura desse público. Educação e alta renda raramente andam de mãos dadas no Brasil…

  4. Vejo de outra maneira..
    não será mais possível repetir o mesmo espetáculo como acontecia com o antigo.A visão de quem estava em baixo era impactante,o visual lindo da raça,jovem,urubuzada ´fazendo aquele show de luzes,cores,papeis,bandeiras..E também a visão compactada dos torcedores dando aquela visão iniqualável..esse espetáculo sempre foi o responsável pela a arrebatação de muitos torcedores.Até então não existia espetáculo igual..muitos chegarão a esta conclusão no futuro…é uma pena,uma castração..Analisem o regulamento de novas condutas que já está circulando..o maraca está totalmente descaracterizado..Castraram nossa magia e identidade..já imensas são as saudades..Pra mim só será recuperável com a construção de um novo maracanã para o flamengo nos moldes antigos..

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